Moscovo, 16 jun 2026 (Lusa) — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, oficializou esta terça-feira a convocatória para as próximas eleições legislativas do país, agendadas para o dia 20 de setembro. O respetivo decreto presidencial já foi assinado e disponibilizado no portal oficial de informações jurídicas do Estado russo.
A marcação do ato eleitoral acontece num cenário político desafiante para o Kremlin. Vários estudos de opinião recentes indicam um desgaste acentuado na imagem pública de Putin — que assegurou em 2024 um novo mandato presidencial de seis anos — e, de forma ainda mais expressiva, no partido que apoia o executivo. As intenções de voto na força política governante afundaram para valores inferiores a 30%, aproximando-se do recorde negativo histórico de 26,4% registado no verão de 2021.
De acordo com as sondagens, o descontentamento do eleitorado está fortemente ancorado em fatores como a persistência da guerra contra a Ucrânia, os frequentes ataques com drones em território russo, a perda de poder de compra devido à inflação e as restrições no acesso à internet e às redes sociais. Este descontentamento tem servido de alavanca para os partidos da oposição, que registam uma adesão crescente ao assumirem uma postura crítica face às diretrizes da liderança russa.
O impacto do atual contexto mereceu também um comentário do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Numa mensagem divulgada esta semana, o líder ucraniano estimou que o partido do poder na Rússia reúna atualmente apenas 22% das intenções de voto, um contraste flagrante com os quase 50% de sufrágios que a força política arrecadou no escrutínio legislativo de 2021.
Historicamente, o partido que sustenta o regime de Vladimir Putin consegue mitigar as perdas através de taxas de abstenção elevadas, sobretudo nos grandes centros urbanos. Contudo, diversos analistas políticos independentes defendem que, face à atual conjuntura de crise, será extremamente difícil para o partido do governo renovar a maioria de que dispõe na assembleia russa, a menos que as autoridades recorram à manipulação direta dos resultados eleitorais.