Horta, Açores, 16 jun 2026 (Lusa) – O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, afirmou hoje que o arquipélago desempenha um papel crucial no reforço da soberania de Portugal no Atlântico. Numa comunicação política apresentada na abertura do plenário de junho da Assembleia Legislativa Regional, na Horta, o governante considerou "essencial" que as instâncias nacionais reconheçam, com clareza e de forma prática, o peso geopolítico e geoeconómico das ilhas, avisando que a valorização da região não se pode esgotar em palavras vazias.
O líder do executivo de coligação (PSD/CDS-PP/PPM) realçou que este reconhecimento deve traduzir-se numa cooperação efetiva com o Governo Regional, gerando um impacto positivo direto no quotidiano dos cidadãos açorianos. Bolieiro frisou que, apesar do estatuto de região ultraperiférica, os Açores assumem-se como uma centralidade estratégica num momento marcante da sua história.
O governante recordou que o cinquentenário da autonomia regional coincidiu, este ano, com a escolha da ilha Terceira pelo Presidente da República, António José Seguro, para acolher as comemorações do 10 de Junho. Para Bolieiro, essa decisão do chefe de Estado demonstrou uma visão focada no futuro de um "Portugal maior", cujo mar açoriano funciona como a fronteira ocidental da Europa. O presidente regional destacou que tanto a intervenção do Presidente da República como a de Miguel Monjardino, que liderou as comemorações, consagraram o arquipélago como uma plataforma estratégica para a projeção internacional do país.
Apesar dos elogios institucionais ouvidos nas celebrações do Dia de Portugal, José Manuel Bolieiro deixou um aviso e uma exigência ao poder central: é necessário passar das palavras aos atos através do investimento público em infraestruturas críticas de duplo uso. O governante defendeu que o Estado deve assumir o financiamento destas estruturas de interesse comum, vitais para assegurar a afirmação da soberania nacional e europeia.
Em termos de desenvolvimento, o líder regional apontou os Açores como um "laboratório do futuro" nas frentes climática, digital e científica, sustentado pelas suas vantagens geográficas e biodiversidade. Bolieiro argumentou que, a par das carências em termos de coesão económica e social, a região oferece amplas oportunidades ligadas à economia azul e ao setor aeroespacial.
Nesse âmbito, a transição para a economia do mar foi classificada como uma prioridade do executivo, que prevê impulsionar a investigação científica ligada ao setor empresarial através do Centro de Tecnologia e Inovação para a Economia do Mar (MARTEC) e da aquisição de um novo navio de investigação. A terminar, o presidente do Governo Regional enalteceu o património cultural local e reiterou a ideia de que tanto Portugal como a Europa ganham uma escala muito maior graças aos Açores.