Londres, 16 jun 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou hoje que o Reino Unido e a União Europeia (UE) vão realizar uma nova cimeira bilateral no próximo dia 22 de julho, em Bruxelas. O agendamento foi articulado na sequência de reuniões que o chefe do executivo britânico manteve com o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aproveitando a realização da cimeira do G7 em Evian.
Segundo a nota oficial emitida pelo gabinete de Starmer, as conversações entre os líderes incluíram uma análise aos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, tendo o primeiro-ministro britânico vincado a premência de uma ação conjunta para salvaguardar a estabilidade e abrir novas oportunidades para ambos os blocos. O comunicado sublinha que o encontro de julho visa acelerar a perceção prática dos benefícios desta cooperação na vida dos cidadãos de ambos os lados.
Na agenda dos encontros estiveram também a discussão sobre a nova estratégia europeia para travar a imigração ilegal no Canal da Mancha, a par dos esforços que o Reino Unido tem desenvolvido em parceria com a França para intercetar as travessias clandestinas.
À margem do G7, Keir Starmer reuniu-se a sós com António Costa, ocasião que aproveitou para renovar o compromisso do seu executivo trabalhista em reformular os laços diplomáticos e posicionar novamente o Reino Unido no núcleo da Europa. Através da rede social X, o governante britânico garantiu empenho conjunto na contenção do custo de vida, na criação de postos de trabalho e no desenvolvimento de soluções para as camadas mais jovens. Na mesma plataforma, António Costa classificou o diálogo como profícuo, concordando que a proximidade entre Bruxelas e Londres é vital para a resiliência e prosperidade comuns, confirmando o foco na preparação do encontro de 22 de julho.
Esta será a segunda cimeira oficial entre o Reino Unido e a UE. A primeira edição decorreu em maio de 2025, em Londres, poucos meses após a eleição de Starmer, que assumiu como prioridade mitigar o afastamento gerado pelo processo do 'Brexit'. O Reino Unido desligou-se formalmente do projeto europeu em 2020, na sequência do referendo de 2016.
Desde a aproximação liderada pelos trabalhistas, as duas potências alcançaram consensos regulatórios sobre a atividade das frotas de pesca da UE em águas britânicas e iniciaram conversações para aliviar os entraves burocráticos no comércio agroalimentar e no setor energético. Não obstante este realinhamento, o executivo de Keir Starmer mantém intactas as suas restrições inegociáveis, excluindo qualquer cenário de reintegração no mercado único, na união aduaneira ou no princípio de livre circulação de cidadãos.