MENU
António Guterres em visita ao Haiti descreve cenário humanitário como "desesperador"
O Secretário-Geral da ONU apelou à comunidade internacional para que deixe de "desviar o olhar" perante a grave crise de segurança e a violência extrema gerada por gangues armados.
Por Redação
Publicado em 16/06/2026 18:30
International
@Lusa

Nações Unidas, 16 jun 2026 (Lusa) – O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, classificou hoje como "desesperadora" a realidade humanitária vivida no Haiti. Numa viagem oficial de solidariedade ao país, o diplomata português exortou a comunidade internacional a agir e a não ignorar o sofrimento do povo haitiano.

"A situação humanitária aqui é desesperadora, mas há alguns ténues vislumbres de esperança", partilhou o líder da ONU numa mensagem divulgada na rede social X, ilustrada com uma imagem captada a bordo de um helicóptero enquanto sobrevoava o território das Caraíbas. Na mesma plataforma, Guterres dirigiu um apelo claro às potências globais: "Parem de desviar o olhar". O governante vincou a necessidade urgente de o mundo se solidarizar e "estar ao lado do Haiti", que atualmente enfrenta uma profunda crise de segurança e se mantém como a nação mais desfavorecida do continente americano.

O Secretário-Geral viajou para o Haiti a partir da vizinha República Dominicana. É precisamente para solo dominicano que está agendado o seu regresso na próxima quarta-feira, estando previsto um encontro oficial com o Presidente Luis Abinader. À sua chegada à capital, Santo Domingo, na noite de segunda-feira, António Guterres fez questão de expressar o seu agradecimento às autoridades e aos cidadãos dominicanos pelo apoio contínuo que têm prestado às iniciativas internacionais focadas na estabilização do território vizinho.

O cenário que Guterres encontrou é de extrema gravidade. De acordo com os relatórios estatísticos da própria ONU, a espiral de violência no Haiti já provocou, pelo menos, 2.310 vítimas mortais e 1.106 feridos apenas nos primeiros cinco meses deste ano. O controlo territorial por parte de fações criminosas é quase absoluto, estimando-se que os gangues armados dominem cerca de 90% de toda a área metropolitana de Porto Príncipe, a capital do país.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos detalha ainda que, ao longo do mesmo período, estes grupos organizados efetuaram perto de uma centena de raptos. Adicionalmente, pelo menos 699 pessoas — na sua esmagadora maioria mulheres e jovens raparigas — foram alvo de episódios bárbaros de violência sexual. A agência internacional alerta também para o drama de centenas de menores de idade que continuam sequestrados e subjugados por redes transnacionais de tráfico humano.

Comentários