Lisboa, 16 jun 2026(Lusa) – O Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai passar a contar com um novo centro de dados em Évora até ao encerramento deste ano. A nova infraestrutura tecnológica foi desenhada para funcionar em espelho e em tempo real com o atual data center do Porto, garantindo que, perante qualquer avaria ou falha técnica num dos polos, o outro assuma as operações de forma imediata e automática.
Este projeto representa um investimento de 15 milhões de euros, integralmente suportado por fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Embora a centralização de dados em Évora estivesse inicialmente projetada para arrancar em 2023, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) justificam a derrapagem no calendário com a enorme complexidade técnica do concurso público, assegurando que o processo se encontra agora estabilizado e dentro dos novos prazos previstos.
A urgência desta infraestrutura ficou severamente demonstrada na passada sexta-feira, dia em que uma falha de eletricidade nas instalações do Porto mandou abaixo as principais plataformas informáticas da saúde em todo o país. O apagão bloqueou o acesso a históricos clínicos, impossibilitou a passagem de exames e paralisou o sistema de receitas eletrónicas — uma ferramenta vital utilizada diariamente por cerca de 10 mil clínicos para emitir uma média de 250 mil prescrições.
O impacto do colapso informático fez-se sentir com especial gravidade nos centros de saúde e motivou duras críticas do setor. De acordo com os cálculos apresentados pela Ordem dos Médicos, a quebra nos servidores impediu o registo digital de mais de 150 mil consultas e procedimentos agendados. Perante o cenário de paralisia, a Ordem exigiu esclarecimentos imediatos aos SPMS, estando já marcada uma reunião de emergência entre as duas organizações para a tarde desta quarta-feira.