Redação, 17 jun 2026 (Lusa) — O Irão voltou a exportar crude pela primeira vez nos últimos dois meses. A rota comercial foi reativada com a saída de pelo menos dois navios operados pela Companhia Nacional de Petroleiros do Irão (NITC), de acordo com os dados avançados hoje pelo TankerTrackers, um portal norte-americano especializado na monitorização de tráfego marítimo.
As embarcações em causa, batizadas de Diona e Hero2, pertencem à categoria de superpetroleiros e transportam uma carga conjunta avaliada em 3,8 milhões de barris de petróleo bruto. Para confirmar que os navios conseguiram efetivamente cruzar a linha de bloqueio que tinha sido montada pelos Estados Unidos, o TankerTrackers cruzou imagens captadas por satélite com os dados do sistema de identificação automática (AIS) emitidos pelas próprias embarcações. Um terceiro navio iraniano, o Stream, prepara-se também para entrar na zona, após ter estado quase dois meses fundeado em águas paquistanesas por motivos de segurança.
Este alívio na navegação surge na sequência do levantamento das restrições navais impostas por Washington em meados de abril, que tinham surgido como represália pelo fecho do Estreito de Ormuz por parte de Teerão no arranque da guerra do Médio Oriente, em fevereiro.
O retomar das operações acontece três dias antes da data marcada para a assinatura do acordo de paz formal entre Washington e a República Islâmica. Majid Takht-Ravanchi, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, confirmou que o fim do cerco marítimo às docas do país foi antecipado face à assinatura do documento, sendo esta uma das exigências inegociáveis colocadas por Teerão ao longo do processo de mediação.
Paralelamente, os meios de comunicação estatais iranianos já vieram a público celebrar o regresso à normalidade das frotas comerciais, detalhando que, além dos navios petrolíferos que navegam agora no Oceano Índico, há também corporações com bens alimentares e gado a caminho dos portos da região sul do país.
A ratificação do memorando de entendimento está agendada para a próxima sexta-feira na estância suíça de Bürgenstock. O pacto prevê o alargamento do cessar-fogo por mais dois meses e desenha as diretrizes para reatar o diálogo sobre o programa nuclear iraniano.
À margem da cimeira do G7, em França, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se confiante no sucesso desta transição e garantiu que o dossier final irá acautelar que Teerão não tenha capacidade para criar armamento nuclear, abrindo a porta a uma remoção faseada das restantes sanções económicas.