Lisboa, 17 jun 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, defendeu publicamente que a União Europeia (UE) necessita de adotar uma postura de maior firmeza na pressão diplomática exercida sobre o governo de Israel. As declarações foram proferidas esta quarta-feira durante uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.
O governante alertou que o bloco europeu dispõe de ferramentas e de capacidade de influência e que, caso decida não agir, essa passividade poderá ser interpretada pela comunidade internacional como uma demonstração de "indiferença" perante o conflito. Rangel destacou que a atual conjuntura exige uma resposta forte, justificando que existe um processo de radicalização política em curso em Israel que ameaça desmoronar os equilíbrios mais sensíveis na região do Médio Oriente.
Durante a sua intervenção na Assembleia da República, o ministro português fez questão de expressar o seu descontentamento e lamentar a falta de consenso no seio do Conselho de Negócios Estrangeiros da União Europeia. O órgão falhou a aprovação de medidas punitivas contra dois membros proeminentes do executivo israelita.
O diplomata referia-se diretamente a Itamar Ben-Gvir, responsável pela pasta da Segurança Nacional, e a Bezalel Smotrich, titular do ministério das Finanças. Na perspetiva de Paulo Rangel, os dois governantes de extrema-direita assumem-se atualmente como verdadeiros "fatores de grande instabilidade e perturbação", cuja atuação política acaba por minar o caminho para a pacificação da região.