Évian, França, 17 jun 2026 (Lusa) — O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou esta quarta-feira um forte aviso ao Irão, ameaçando retomar os ataques militares caso o regime de Teerão falhe no cumprimento das metas do memorando de entendimento desenhado para travar a guerra no Médio Oriente. O documento, que visa pôr termo às hostilidades, tem assinatura oficial agendada para a próxima sexta-feira.
A advertência do líder norte-americano foi feita em Évian, à margem da cimeira do G7, logo após uma reunião bilateral com o Presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi. Trump fez questão de relativizar o alcance imediato do documento. “Este não é um acordo final. É um memorando de entendimento”, clarificou aos jornalistas, acrescentando de forma direta: “Se eu não gostar, se eles não se portarem bem, começaremos a bombardeá-los novamente”.
Para fundamentar a sua desconfiança e a postura rígida de Washington, o chefe de Estado norte-americano invocou o passado conturbado entre as duas nações. Trump lembrou que as autoridades iranianas “se portaram mal durante 47 anos”, aludindo ao corte histórico de relações que se seguiu à Revolução Islâmica de 1979, momento que ditou o derrube do Xá, que até então era um forte aliado dos Estados Unidos na região.
Apesar do tom agressivo de Donald Trump, os Estados Unidos e o Irão conseguiram alcançar esta semana uma plataforma de entendimento para tentar cessar um conflito violento que eclodiu no final de fevereiro. Esta guerra, recorde-se, ceifou a vida a milhares de pessoas, com o impacto mais severo a fazer-se sentir em território iraniano e no Líbano.
O acordo preliminar, que contou com uma intensa mediação por parte da comunidade internacional, vai ser selado formalmente na Suíça, concretamente na estância alpina de Burgenstock. O texto prevê não só a consolidação do cessar-fogo em vigor, como também estabelece as fundações para um novo ciclo de conversações focado na segurança regional e no dossier nuclear.
Donald Trump detalhou que este documento representa apenas uma fase inicial de aproximação, abrindo caminho para uma nova ronda negocial estipulada para durar dois meses. Uma das primeiras e mais urgentes consequências práticas deste entendimento será a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, canal marítimo vital para o escoamento global de petróleo. A fechar, o Presidente dos Estados Unidos desmentiu categoricamente os rumores que circulavam sobre a possibilidade de Washington vir a injetar capital ou realizar investimentos económicos no Irão.