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Chefe de Estado defende que Portugal, Espanha e Itália não devem aceitar “lugar periférico” na revolução da IA
António José Seguro apela à união do Sul da Europa por uma inteligência artificial regulada, focada nos direitos humanos e assente na criação de uma nova plataforma tecnológica comum.
Por Redação
Publicado em 17/06/2026 14:52
International
@Lusa

Veneza, Itália, 17 jun 2026 (Lusa) — O Presidente da República, António José Seguro, sustentou hoje que Portugal, Espanha e Itália possuem os argumentos necessários para rejeitar uma posição secundária no desenvolvimento global da Inteligência Artificial (IA). No seu discurso de estreia enquanto chefe de Estado no simpósio da COTEC Europa, em Veneza, o governante classificou a IA como uma das reconfigurações laborais mais marcantes desde a própria Revolução Industrial.

António José Seguro sublinhou que a Europa se deve demarcar das abordagens das restantes superpotências mundiais. Contrapondo o modelo dos Estados Unidos, focado no mercado, e o da China, direcionado para a vigilância estatal, o Presidente realçou que o bloco europeu trilha uma terceira via, centrada no progresso, no respeito pelos direitos dos cidadãos e nos valores democráticos.

Acompanhado no evento pelo Rei Felipe VI de Espanha e pelo Presidente de Itália, Sergio Mattarella, o governante português frisou a urgência de regulamentar esta tecnologia. "Os sistemas de IA reproduzem os valores de quem os concebe", alertou Seguro, avisando que, se os algoritmos servirem apenas o lucro desmedido ou regimes autocráticos, a inovação tecnológica irá virar-se contra os indivíduos e não a seu favor. Para o Presidente, a responsabilidade social e ética das três nações constitui uma verdadeira mais-valia económica e competitiva.

O chefe de Estado identificou que o entrave comum a Portugal, Espanha e Itália reside essencialmente na falta de escala e na fraca coordenação, já que os três países reúnem infraestruturas sólidas, universidades de prestígio, recursos em energias renováveis e engenheiros altamente qualificados.

Como resposta prática a esta lacuna, os líderes das delegações da COTEC dos três países firmaram um acordo estratégico antes das intervenções institucionais. Sob proposta da Associação Empresarial para a Inovação de Portugal, foi formalizada a criação de uma "plataforma mediterrânica-atlântica". Este novo eixo de cooperação destina-se a impulsionar o investimento em tecnologias de vanguarda (deep tech) e a potenciar a inovação conjunta no sul da Europa.

António José Seguro elogiou o projeto, constatando que a união ibérica e italiana tem de ultrapassar a mera "fotografia institucional" e consolidar ferramentas que permitam à Europa criar competências próprias em vez de apenas lamentar a sua dependência externa. O Presidente da República conclui o seu programa oficial em solo italiano com um jantar oficial oferecido pelo homólogo Sergio Mattarella, regressando a Lisboa ainda esta noite.

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