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Pacto com EUA estabelece termos de cessar-fogo, reabertura de Ormuz e dinheiro para Teerão – CNN
Projeto de memorando de entendimento prevê o fim imediato das hostilidades, levantamento de sanções e a criação de um fundo de 300 mil milhões de dólares.
Por Redação
Publicado em 17/06/2026 14:56
International
@Lusa

Washington, 17 jun 2026 (Lusa) — O rascunho do acordo histórico entre o Irão e os Estados Unidos já define as balizas para um cessar-fogo global, a retoma da circulação marítima no Estreito de Ormuz e um substancial alívio financeiro para o regime iraniano. A informação foi avançada esta quarta-feira pela estação de televisão norte-americana CNN, que teve acesso a uma cópia do memorando de entendimento composto por 14 pontos, cujo teor foi validado por três fontes diplomáticas distintas. No documento, que reflete as bases do compromisso alcançado no passado domingo entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder do Parlamento do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, Teerão reitera o compromisso solene de que nunca irá desenvolver armamento nuclear. Contudo, por ainda estarem a ser limadas arestas técnicas, subsistem dúvidas se esta versão corresponde integralmente ao texto final que os dois países deverão assinar presencialmente na Suíça, já na próxima sexta-feira.

O plano delineado estabelece o "fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano". Ambas as potências comprometem-se a respeitar a soberania territorial mútua, a abdicar do uso da força e a não interferir em assuntos internos, estipulando um prazo regulamentar de 60 dias para fechar um acordo definitivo. No plano logístico e económico, o pacto prevê ações imediatas após a assinatura: os EUA cessarão o cerco marítimo ao Irão, permitindo a normalização do tráfego em 30 dias, e retirarão as suas forças militares das áreas circundantes um mês após o acordo final. Em contrapartida, o Irão compromete-se a neutralizar minas e a remover obstáculos técnicos no prazo de 30 dias, reabilitando a circulação de navios mercantes entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã, enquanto os norte-americanos levantarão de imediato os entraves às vendas de petróleo bruto iraniano, derivados petroquímicos, banca, seguros e transportes.

Por outro lado, Washington e os seus parceiros regionais desenharão um plano macroeconómico de reestruturação para o Irão, garantindo uma verba mínima de 300 mil milhões de dólares (cerca de 260 mil milhões de euros) caso Teerão cumpra os compromissos relacionados com o seu programa nuclear em futuras negociações. Paralelamente, os EUA calendarizarão a extinção gradual de todas as sanções unilaterais e internacionais associadas à ONU e à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), sendo os ativos iranianos congelados no estrangeiro totalmente libertados e colocados sob a gestão do Banco Central do Irão. Apesar do otimismo financeiro, o memorando deixa em aberto algumas questões sensíveis, já que o texto não especifica o destino a dar ao urânio altamente enriquecido que o Irão possui atualmente, remetendo esse dossiê para as conversações finais. Até lá, Teerão congelará o estado atual do seu programa nuclear e os EUA não aplicarão novas sanções nem reforçarão o seu contingente militar na região.

Internamente, a divulgação do documento gerou reações mistas entre os envolvidos. Enquanto funcionários da Casa Branca desvalorizaram o memorando perante a CNN, catalogando-o como um "documento político" que omite compromissos essenciais assumidos por canais diplomáticos discretos, a agência semioficial iraniana Tasnim apressou-se a classificar as versões partilhadas pela imprensa como "imprecisas". O passo seguinte do processo, que contará com uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU, será a abertura formal das negociações para o tratado definitivo.

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