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Vinho português dispara 20% em Angola em contraciclo com queda mundial
Mercado angolano lidera exportações nacionais em volume e garante quota histórica de 88% num ano de instabilidade global.
Por Redação
Publicado em 17/06/2026 16:27
International
@Lusa

Luanda, 17 jun 2026 (Lusa) — As exportações de vinho português para Angola registaram um crescimento expressivo de 20% em valor ao longo do ano de 2025. Os dados foram avançados pelo presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, que destacou o excelente desempenho neste mercado numa altura em que as vendas globais do setor enfrentam uma trajetória de quebra generalizada.

A revelação coincide com os preparativos para o Festival Vinhos de Portugal em Luanda, cuja edição deste ano será a maior de sempre, contando com a participação recorde de 51 produtores nacionais. Em termos práticos, Angola comprou cerca de 54 milhões de euros em vinho a Portugal em 2025, o equivalente a 40 milhões de litros. Este volume coloca o país africano no topo dos destinos das exportações vinícolas portuguesas e na quinta posição no que toca ao valor financeiro arrecadado, apenas atrás de mercados de grande dimensão como a França, os Estados Unidos, o Brasil e o Reino Unido.

A performance do mercado angolano assume contornos excecionais se comparada com a conjuntura global. No ano transato, Portugal assistiu a uma quebra de 1% nas suas exportações vinícolas mundiais, uma redução que se revelou ainda mais severa noutros países produtores de referência. Segundo Frederico Falcão, a resiliência angolana pode ser explicada pela recente estabilização do kwanza e por uma ligeira recuperação macroeconómica. O responsável lembrou que o vinho é um produto altamente vulnerável a crises e que a instabilidade internacional — motivada pela pandemia e pelos conflitos armados em curso na Ucrânia e no Médio Oriente — retraiu o consumo global, uma realidade à qual Angola conseguiu escapar devido à sua atual solidez económica.

A liderança de Portugal em Angola é absoluta, traduzindo-se numa quota de mercado sem paralelo de 88%, muito acima do peso que o setor detém noutros destinos importantes, como o Brasil (16%) ou a Polónia (10%). A África do Sul surge como o segundo maior fornecedor de vinhos em Angola, seguida pela concorrência europeia de França, Espanha e Itália. Para além das afinidades históricas e culturais partilhadas, o presidente da ViniPortugal atribui este sucesso ao esforço concertado de promoção dinamizado pelas comissões vitivinícolas e marcas nacionais.

Apesar dos indicadores positivos, a ViniPortugal acredita que a margem de progressão em território angolano continua a ser muito elevada. O consumo anual per capita no país situa-se em apenas 1,5 litros — o equivalente a cerca de 0,3 milhões de hectolitros globais por ano —, um número que contrasta vincadamente com a média de 62 litros registada em Portugal (5,6 milhões de hectolitros anuais). A estratégia passa agora por introduzir o produto a novos perfis de consumidores e dinamizar o mercado de forma global.

Com esse intuito, o festival agendado para a capital angolana incluirá provas de vinhos reservadas a importadores, distribuidores, escanções (sommeliers) e profissionais do canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés), abrindo também as portas ao público em geral ao final do dia. O evento contará ainda com sessões de showcooking lideradas pelos conceituados chefes de cozinha locais Helt Araújo e Elisabeth Martins, focadas em casar a gastronomia típica angolana com as referências vínicas de Portugal. No que toca às preferências, o público angolano mantém um perfil tradicional, privilegiando o consumo de vinho tinto, com particular destaque para os lotes oriundos das regiões do Douro e do Alentejo.

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