Bruxelas, 17 jun 2026 (Lusa) — O presidente do Conselho Europeu, António Costa, deu início a uma série de "breves contactos a nível diplomático" com o objetivo de estabelecer canais de comunicação com a Rússia, tendo em vista futuras conversações de paz para colocar fim à guerra na Ucrânia.
De acordo com um alto funcionário europeu em declarações à agência Lusa, estas primeiras pontes diplomáticas foram lançadas ao longo das últimas semanas. A mesma fonte ressalvou, contudo, que estes diálogos iniciais serviram estritamente para abrir vias de contacto, não tendo sido abordada, até ao momento, "qualquer questão de fundo".
Esta aproximação estratégica acontece na véspera de mais uma cimeira do Conselho Europeu, uma reunião fortemente marcada pelo reforço do apoio militar e financeiro a Kiev para consolidar a posição ucraniana perante as forças russas. Fontes europeias sublinham que, num cenário pós-guerra, a União Europeia (UE) "tem interesses específicos que terão de ser defendidos", tornando-se crucial possuir linhas diretas de conversação com o Kremlin. No entanto, Bruxelas deixa claro o seu posicionamento: "A UE não é uma mediadora, apoia a Ucrânia nos seus esforços para alcançar uma paz justa e duradoura".
O ex-primeiro-ministro português tem trabalhado em articulação direta com os restantes líderes dos Estados-membros para delinear o formato deste eventual envolvimento com o regime de Vladimir Putin, definindo quais os temas que devem ser postos em cima da mesa assim que surja o momento propício. Esta coordenação surge também em resposta a um apelo do próprio Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que pediu uma postura mais interventiva da UE na criação de condições que viabilizem o processo de paz.
O debate em torno do papel da Europa nas futuras negociações de paz e sobre quem deve liderar a representação do bloco ganha balanço numa altura em que o conflito, iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022, se aproxima de um momento de intensa atividade diplomática internacional.
Para acompanhar de perto estes desenvolvimentos, Volodymyr Zelensky marcará presença esta quinta-feira no arranque da cimeira europeia de dois dias, que se estende até sexta-feira. Desde o início da guerra, a Ucrânia tem dependido do suporte financeiro e do fornecimento de armamento por parte dos aliados ocidentais, que em paralelo mantêm pesadas sanções económicas contra setores estratégicos da Rússia para sufocar a máquina de guerra de Moscovo.