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Lula da Silva afirma que “nunca foi esquerdista” em conversa no G7
Em diálogo descontraído com chefes do FMI e da Alemanha, Presidente brasileiro defende que o "mundo é do caminho do meio" e gera forte polémica no Brasil.
Por Redação
Publicado em 17/06/2026 18:14
International
@Lusa

Brasília, 17 jun 2026 (Lusa) — O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, protagonizou um momento de grande repercussão política ao declarar que “nunca foi esquerdista”. A afirmação foi feita em solo francês, durante uma conversa informal com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz.

O diálogo, que decorreu nos bastidores da Cimeira do G7 na localidade de Évian-les-Bains, acabou por ser captado e difundido pela própria transmissão oficial do evento. Na ocasião, Lula começou por argumentar que as forças políticas de direita — exemplificando com os republicanos nos EUA e os conservadores em França — conseguiram segurar as rédeas do poder por períodos muito mais longos do que a esquerda.

“O que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade”, defendeu o chefe de Estado, provocando risos no governante alemão.

Foi nesse instante que a líder do FMI recordou a chegada de Lula ao poder em 2003, comentando que, na altura, as expectativas apontavam para um perfil ideológico vincado à esquerda, o que acabou por não se verificar na prática. Lula interrompeu prontamente Georgieva para frisar, por duas vezes, que nunca se regeu por essa matriz. O governante justificou o seu percurso com as fortes e saudáveis pontes que sempre manteve com as grandes centrais sindicais europeias, nomeadamente as da Alemanha, Itália e Espanha.

Apesar do desabafo em França, a biografia de Lula da Silva está profundamente ligada à esquerda: foi o fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980, acumulou várias candidaturas presidenciais e cumpre atualmente o seu terceiro mandato na liderança do país. Todavia, desde o seu regresso ao poder em 2023, o Presidente tem tecido reparos públicos ao seu próprio partido e à esquerda em geral, apontando que os quadrantes conservadores têm demonstrado maior eficácia na leitura das necessidades atuais da população.

A nível interno, a postura de Lula em se afastar do rótulo esquerdista contrasta com a visão do mercado financeiro e do influente setor do agronegócio, que continuam a rotulá-lo como um líder de esquerda. Adicionalmente, as sondagens recentes indicam que o Executivo tem enfrentado entraves no momento de converter as medidas governamentais em índices efetivos de popularidade.

A oposição brasileira não tardou a reagir e aproveitou o episódio do G7 para atacar o Presidente nas plataformas digitais. O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança foi uma das vozes críticas, acusando a esquerda de tentar camuflar a sua identidade doutrinária. “Quando a marca apodrece, eles trocam a embalagem, chamam de ‘meio’, ‘centro’, ‘democracia’ ou qualquer outro nome”, atirou o parlamentar. Contactada pela Lusa para esclarecer o teor das declarações, a Presidência brasileira optou por não emitir qualquer reação oficial até ao momento.

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