Taipé, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O Governo de Taiwan colocou em cima da mesa uma nova proposta financeira de cariz militar, avaliada em 210 mil milhões de dólares taiwaneses (cerca de 5,7 mil milhões de euros). O objetivo central deste pacote especial de defesa é o investimento massivo na compra de veículos aéreos não tripulados (drones) e de embarcações navais controladas remotamente.
De acordo com o plano do executivo, o financiamento estender-se-á entre agosto deste ano e o final de 2031. Os fundos serão canalizados de forma faseada para equipar as forças armadas da ilha com aparelhos de vigilância e reconhecimento, aeronaves de ataque costeiro e pequenas embarcações suicidas autónomas. A porta-voz do Governo, Michelle Lee, justificou a medida realçando que o país precisa de acompanhar de perto as tendências das tecnologias de ponta na chamada "guerra assimétrica".
O primeiro-ministro taiwanês, Cho Jung-tai, alertou na última reunião ministerial que o território tem a urgência de se integrar em redes globais de abastecimento "não vermelhas" — uma alusão direta à eliminação de componentes que dependam da China Continental. Taipé pretende acelerar a produção interna para garantir que o fabrico, o fornecimento e a manutenção destes equipamentos sejam totalmente independentes e autónomos caso ocorra uma transição abrupta de um cenário de paz para um estado de guerra.
Este novo fôlego financeiro surge um mês e meio depois de o parlamento ter aprovado uma verba especial de 21,4 mil milhões de euros que, na altura, acabou por excluir os drones e a tecnologia de produção local devido aos cortes aplicados pela oposição. Perante o recuo inicial, o Presidente William Lai já tinha garantido que o seu Governo não iria ceder e que lutaria por um novo orçamento para assegurar a autossuficiência de Taiwan na defesa, especialmente num período em que Pequim tem intensificado de forma severa a pressão militar e diplomática sobre a ilha.