Telavive, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, comunicou esta quinta-feira a suspensão imediata de todas as relações e contactos com a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas.
A reação oficial surge na sequência de fortes críticas de Saar a declarações atribuídas a Kallas, nas quais a diplomata europeia terá equiparado a conduta de Israel perante os palestinianos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ao histórico regime de segregação racial (apartheid) que vigorou na África do Sul. Através das suas plataformas digitais, o governante israelita exigiu um pedido de desculpas formal por parte da responsável europeia, classificando as alegadas afirmações como uma difamação gravíssima contra o Estado judaico.
A decisão baseia-se numa peça jornalística avançada pelo portal europeu Euractiv. O artigo refere que Kallas estabeleceu o paralelo com o regime sul-africano da década de 1990 durante encontros privados e à porta fechada que decorreram no âmbito de uma visita oficial ao México, citando fontes diplomáticas que estiveram presentes no local.
Embora Kaja Kallas tenha mantido uma posição equilibrada no passado — defendendo o direito de Israel à autodefesa mas criticando a escala da ofensiva em Gaza durante uma viagem à região em 2025 —, este novo episódio agrava o fosso diplomático. Vale notar que esta analogia com o apartheid tem sido recorrentemente traçada por agências da ONU e por organizações internacionais como a Amnistia Internacional, que apontam o isolamento geográfico de Gaza e o duplo sistema jurídico aplicado aos habitantes da Cisjordânia como evidências de um tratamento discriminatório.