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Amnistia indicia Irão de possíveis crimes de guerra com ataques na Arábia Saudita e Bahrein
Organização de direitos humanos associa ofensiva aérea com drones a uma onda de agressões contra infraestruturas e trabalhadores civis na região do Golfo.
Por Redação
Publicado em 18/06/2026 12:09
International
@Lusa

Londres, 18 de junho de 2026 (Lusa) — A Amnistia Internacional (AI) apontou o dedo ao Irão devido a uma série de ataques realizados em março deste ano contra o Bahrein e a Arábia Saudita. As investidas, que provocaram quatro vítimas mortais e doze feridos, foram classificadas pela organização não-governamental como potenciais crimes de guerra. A análise técnica aponta para que Teerão tenha recorrido a aeronaves não tripuladas (drones) do tipo Shahed nas operações.

Num relatório divulgado esta quinta-feira, a AI sublinhou que as ações de Teerão vitimaram civis e violaram frontalmente o direito internacional humanitário. De acordo com a organização, esta ofensiva insere-se num plano mais amplo de agressões contra os membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). O conflito escalou após ataques prévios dos Estados Unidos e de Israel em território iraniano no final de fevereiro, desencadeando uma forte retaliação por parte das forças iranianas e de milícias aliadas que já provocou, no total, pelo menos 28 mortos e centenas de feridos na região.

O documento detalha dois episódios concretos. O primeiro ocorreu a 2 de março no Bahrein, onde um drone atingiu o navio petroleiro civil MT Stena Imperative enquanto este se encontrava em manutenção, resultando na morte de um homem. Embora a embarcação de bandeira sueca já tivesse prestado serviços de transporte de combustível para o exército norte-americano no passado, a Amnistia clarificou que, no momento do impacto, o navio não participava em qualquer missão militar, mantendo o estatuto de alvo civil protegido. O segundo caso deu-se a 8 de março, na Arábia Saudita, quando um projétil iraniano atingiu um alojamento de operários em Al-Kharj, matando três trabalhadores civis de uma empresa de limpezas.

A investigação da Amnistia recolheu ainda testemunhos sobre ataques semelhantes dirigidos a aeroportos e hotéis nos Emirados Árabes Unidos, bem como a complexos de tratamento de água e gás no Qatar. A ONG revelou ter contactado as autoridades da Arábia Saudita, do Bahrein e do próprio Irão para obter esclarecimentos sobre estes episódios, mas não obteve qualquer resposta de nenhum dos governos até à data. O relatório termina com um alerta para a forte repressão interna nos países do Golfo, onde mais de mil pessoas terão sido detidas recentemente por expressarem opiniões ou partilharem dados na internet sobre o conflito.

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