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Quase um milhão de palestinianos suporta calor em tendas ou ao relento – ONG
Organizações humanitárias denunciam que o bloqueio israelita à entrada de materiais de construção impede a ventilação e o isolamento dos abrigos perante temperaturas superiores a 34 graus.
Por Redação
Publicado em 18/06/2026 14:43
International
@Lusa

Faixa de Gaza, Palestina, 18 de junho de 2026 (Lusa) — Cerca de um milhão de cidadãos palestinianos encontram-se alojados em estruturas provisórias desprovidas de quaisquer condições para atenuar as altas temperaturas do verão. O alerta foi emitido esta quinta-feira por várias organizações não-governamentais (ONG) internacionais, que responsabilizam as restrições alfandegárias de Israel pela falta de materiais de isolamento no enclave.

De acordo com o mais recente relatório do Shelter Group — consórcio humanitário liderado pelo Conselho Norueguês para os Refugiados (CNR) —, o cenário é crítico: cerca de 170 mil agregados familiares sobrevivem em tendas de lona, cinco mil famílias dormem desprotegidas ao relento e outras 52 mil partilham espaços de acolhimento sobrelotados. Os dados recolhidos este mês apontam para 850 mil pessoas privadas de artigos básicos de habitabilidade, num quadro que os ativistas descrevem como uma crise provocada pela destruição deliberada e pelo bloqueio à ajuda humanitária.

O coordenador do Shelter Group, Jehan Salim, sublinhou em comunicado que a população não está a ser vítima de uma catástrofe meteorológica natural, mas sim forçada a tolerar um calor asfixiante, com os termómetros já acima dos 34 graus Celsius. O responsável assegurou que melhorias simples, como a instalação de coberturas de sombra e sistemas de ventilação, reduziriam os riscos de saúde de forma imediata, mas lamentou que estes recursos estejam a ser vedados ao território. No mesmo tom, o líder do CNR, Jan Egeland, classificou como intolerável a barreira israelita à entrada de componentes de reparação.

O impacto acumulado da intervenção militar em Gaza resultou na destruição ou danificação de mais de três quartos (76,6%) do parque habitacional da região. Embora tenha sido alcançado um acordo de cessar-fogo no final do ano passado, as incursões de baixa intensidade permanecem frequentes e as restrições à entrada de bens e de observadores externos mantêm-se severas. Segundo os dados mais recentes das autoridades locais de saúde, validados pelas Nações Unidas, o balanço de vítimas mortais no enclave desde o início do conflito já ultrapassou a barreira das 73 mil pessoas.

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