Lisboa, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O Ministério da Educação admitiu hoje a existência de uma falha por parte da equipa que desenhou a prova nacional de Português do ensino secundário. Em causa está um exercício de desenvolvimento que se revelou praticamente idêntico a um desafio publicado num livro de preparação de exames da editora Leya. Face ao sucedido, a tutela avançou com um pedido de intervenção à Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC).
O ministro Fernando Alexandre determinou a realização de uma auditoria aos métodos de trabalho do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), o organismo responsável por criar os exames. O objetivo é perceber como falharam os habituais mecanismos de controlo e verificação exaustiva, que servem precisamente para garantir que nenhuma pergunta coincide com materiais de estudo já lançados pelas editoras no mercado.
O caso motivou fortes queixas por parte de vários docentes, que alertaram para uma possível quebra de equidade entre os cerca de 76 mil alunos que realizaram o exame na passada terça-feira, uma vez que quem estudou por aquele manual específico poderia estar em vantagem. A pergunta pedia uma reflexão crítica sobre um cartoon do artista iraniano Takjoo focado no trabalho infantil. O EduQA terá ainda de emitir um parecer técnico para avaliar o real impacto desta semelhança na nota final dos estudantes.
O Ministério da Educação veio ainda clarificar a cronologia dos factos, corrigindo uma informação inicial. Ao contrário do que tinha sido reportado num primeiro momento pelo EduQA, o caderno de exercícios da Leya foi editado em agosto de 2025, enquanto a prova nacional só começou a ser desenhada no início de 2026.
Por sua vez, a Associação de Professores de Português (APP) já veio a público classificar a situação como uma "coincidência infeliz". A instituição assegurou que a autora do livro de apoio — que faz parte da direção da APP — não tem qualquer ligação à elaboração das provas oficiais do Estado e que nunca teve acesso a informações confidenciais. O Governo garante que vai retirar as devidas consequências assim que o relatório da inspeção estiver concluído.