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PS e Livre acusam AD de ter omitido revisão das leis laborais antes das eleições
Discussão parlamentar na generalidade evidenciou divergências profundas entre os partidos sobre o impacto das novas medidas na conciliação familiar e nos direitos dos trabalhadores.
Por Redação
Publicado em 18/06/2026 16:29
Nacional
@Lusa

Lisboa, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O Partido Socialista (PS) e o Livre criticaram hoje a Aliança Democrática (AD) durante a sessão parlamentar, defendendo que a coligação governamental não foi clara perante o eleitorado, antes das eleições, sobre a intenção de alterar a legislação laboral. Por sua vez, o PCP considerou que as novas medidas propostas pelo Executivo vêm apenas acentuar as clivagens e as diferenças de interesses entre as várias classes sociais.

O debate na generalidade ficou marcado por uma forte bipolarização e por constantes trocas de argumentos entre as bancadas da esquerda e da direita. Uma das intervenções mais críticas partiu de Sofia Pereira, secretária-geral da JS, que apontou o dedo ao impacto do banco de horas na gestão do tempo das famílias e na rotina dos pais com os filhos, contestando ainda o alargamento dos contratos a prazo e o recurso ao outsourcing. A deputada socialista questionou as razões para estas matérias não terem sido detalhadas no programa eleitoral da AD, sugerindo que os cidadãos foram induzidos em erro.

No mesmo sentido, a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, lamentou o clima de crispação gerado em torno das relações laborais e acusou o Governo de focar o diálogo institucional com partidos polarizadores, como o Chega. A deputada afirmou que o Executivo dificilmente teria vencido as eleições se tivesse explicitado estas intenções com detalhe. Em resposta, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário da Palma Ramalho, contrapôs que a reforma estava devidamente prevista nos programas da coligação e do Governo, gerando protestos na bancada do PS.

À esquerda, o PCP, através do deputado Alfredo Maia, associou o pacote laboral a uma agressão aos direitos dos trabalhadores, argumentando que o aumento dos lucros das grandes empresas em Portugal não tem tido correspondência na evolução real dos salários. Já Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, recorreu à ironia para criticar o Chega, apontando que o partido liderado por André Ventura parece agora disponível para viabilizar o diploma do Governo na votação de sexta-feira, deixando cair exigências anteriores ligadas à idade da reforma.

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