Lisboa, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, sublinhou hoje que a hipótese de viabilização da nova proposta de lei laboral do Governo na votação de sexta-feira é o cenário mais provável. À saída do debate parlamentar na Assembleia da República, o dirigente comunista salientou que os trabalhadores têm memória longa em relação às decisões tomadas no hemiciclo. "Os trabalhadores perdoam muita coisa, não perdoam é a traição", afirmou, indicando que os partidos que se sintonizarem com o Executivo terão de assumir a responsabilidade pelas suas opções políticas no futuro.
Na perspetiva do líder do PCP, a sessão plenária evidenciou uma aproximação entre o PSD e o Chega com vista à aprovação do diploma. Raimundo dirigiu críticas à bancada liderada por André Ventura, apontando aquilo que considera serem mudanças substanciais de discurso e de posicionamento político em relação às promessas feitas anteriormente sobre as matérias do trabalho.
O dirigente comunista argumentou que o bloco composto pelos partidos da direita parlamentar se uniu para introduzir alterações estruturais na vida de quem trabalha. Na ótica de Paulo Raimundo, a proposta do Executivo traz maior flexibilização e desregulação, destacando medidas como a reintrodução do banco de horas individual, a fixação de tetos máximos para contratos a termo certo e a possibilidade de recurso ao outsourcing após processos de despedimento.
Apesar de antever que o documento passe na generalidade já amanhã, o PCP esclareceu que o percurso legislativo não termina aqui, iniciando-se de seguida a fase de apreciação na especialidade. Paulo Raimundo garantiu que esta nova etapa representará um período de forte acompanhamento e intervenção institucional, prevendo também que os trabalhadores continuem a demonstrar a sua determinação através de ações de contestação nas empresas e nos espaços públicos.