Washington, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recorreu à sua plataforma digital, Truth Social, para salvaguardar o entendimento diplomático alcançado com o Irão. O chefe de Estado norte-americano assegurou que o país recuperou um nível de respeito global sem precedentes e desvalorizou as críticas vindas a público — inclusive do seio do seu próprio partido —, que apontam que o regime de Teerão saiu em clara vantagem com as negociações.
Em publicações marcadas pelo uso de letras maiúsculas, Trump rotulou de "tolos", "invejosos" e "desonestos" os analistas e políticos que o acusam de falta de firmeza face ao Irão. O Presidente argumentou com indicadores económicos, salientando que o mercado de ações atingiu máximos históricos, os níveis de emprego estão em níveis recorde e o preço dos combustíveis começou a registar uma trajetória de descida, garantindo ainda que o acordo impede o Irão de desenvolver armamento nuclear.
A reação agressiva da Casa Branca surge em resposta ao descontentamento manifestado pela ala mais conservadora do Partido Republicano. Figuras proeminentes criticam o facto de o memorando permitir que o Irão continue com o enriquecimento de urânio e recupere o acesso a verbas que estavam bloqueadas por sanções internacionais. O senador Ted Cruz alertou para os perigos financeiros do acordo, enquanto o senador Bill Cassidy considerou o pacto o pior erro de política externa das últimas décadas, argumentando que as ameaças de Teerão no estreito de Ormuz acabaram por funcionar como chantagem eficaz.
Por outro lado, o influente senador Lindsey Graham adotou uma postura mais cautelosa. Embora se tenha mostrado satisfeito com a perspetiva de entendimento, evitou alinhamentos absolutos e defendeu que o Congresso norte-americano deve ter a oportunidade de analisar detalhadamente o documento final antes de qualquer celebração definitiva.
O acordo, assinado na noite passada por Donald Trump e pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, estabelece um período de trégua de 60 dias para que se negoceie um tratado definitivo focado na vertente nuclear. O protocolo determina a reabertura imediata do estreito de Ormuz e o fim simultâneo do bloqueio dos EUA aos portos do Irão. Esta medida já provocou um alívio nos mercados de energia, com o preço do barril de Brent a recuar para a casa dos 78 dólares.
O documento prevê também a cessação total de atividades militares, incluindo em território libanês, e a criação de um fundo de reconstrução avaliado em 300 mil milhões de dólares. Enquanto o Presidente iraniano celebrou o desfecho como um momento histórico para um "Irão poderoso", os negociadores em Teerão interpretam as concessões obtidas — como o fim das sanções ao petróleo e o descongelamento de fundos — como uma admissão de fracasso por parte de Washington.