Porto, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O ex-ministro dos Assuntos Parlamentares e atual presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, considerou hoje que Portugal beneficiaria com a atualização das suas leis laborais, mas defendeu que a aprovação da atual reforma proposta pelo Governo não assume um caráter crucial para o futuro do país.
"Acho que se a reforma laboral não puder ir para a frente, desviemos um bocadinho e continuamos o nosso caminho", afirmou o autarca social-democrata aos jornalistas, à margem de uma iniciativa municipal na Invicta. Relativizando o desfecho da votação no Parlamento, Pedro Duarte acrescentou que "às vezes nem sempre se tem de ir pela mesma estrada" e que o essencial é manter o foco no "destino final", reforçando a sua leitura de que o documento em debate "não é decisivo".
Apesar de retirar dramatismo a um eventual chumbo, o líder da autarquia portuense salvaguardou que o país ganharia bastante se conseguisse "modernizar a sua legislação laboral e adaptá-la aos novos tempos". As declarações surgiram na sequência de uma entrevista concedida pelo político social-democrata ao semanário Expresso, publicada esta quinta-feira.
Pedro Duarte aproveitou ainda o momento para analisar o comportamento das várias forças partidárias no atual cenário governativo. O autarca elogiou o Executivo por tentar "puxar o país para a frente", lamentando em contrapartida a postura de outros partidos da oposição. Segundo o próprio, existem setores políticos que "se acomodaram, até gostam de ver o país permanentemente parado e que obstaculizam ao progresso". Perante este quadro, o presidente da Câmara do Porto deixou um apelo para que o Governo liderado por Luís Montenegro "não vacile" e continue empenhado em desenvolver o seu projeto estratégico para o país.
A análise de Pedro Duarte coincide com o dia em que o Parlamento debateu intensamente a proposta de revisão do Código do Trabalho. A discussão avançou sob o acompanhamento da UGT nas galerias da Assembleia da República e com protestos convocados pela CGTP na rua, estando a votação na generalidade agendada para esta sexta-feira, sem que haja ainda garantias plenas de aprovação.