Paris, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O Presidente da França, Emmanuel Macron, manifestou ceticismo em relação à cessação total das hostilidades no Médio Oriente, defendendo que o acordo firmado na véspera não significa que a crise esteja "totalmente encerrada". Numa entrevista concedida à estação televisiva France 2, o líder gaulês apelou ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para que atue com "racionalidade e responsabilidade" no teatro de operações do Líbano.
Apesar das reservas, Macron sublinhou que a via diplomática é sempre preferível ao confronto armado, especialmente quando existem ameaças reais de uma escalada regional. Para o chefe de Estado francês, a comunidade internacional entra agora num período focado no diálogo e na cooperação institucional.
O grande foco de instabilidade do memorando reside na frente libanesa. Embora Emmanuel Macron reconheça o perigo que o Hezbollah representa para a segurança do território israelita, o Presidente francês argumentou que a ocupação prolongada de solo vizinho é contraproducente para os interesses de Telavive a longo prazo. Na perspetiva de Paris, as atuais diretrizes políticas de Netanyahu em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano acabam por perpetuar o ciclo de violência e o descontentamento das populações locais. Com o intuito de estabilizar a região, Macron prometeu liderar um esforço internacional para capacitar o exército regular libanês a reassumir o controlo soberano das suas fronteiras.
Esta visão de contenção é partilhada por Washington. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, exortou o Executivo israelita a respeitar as diretrizes do processo de paz. Vance lembrou que o entendimento desenhado visa uma estabilidade regional global, o que obriga a que o Hezbollah cesse os ataques com drones e mísseis e que, em contrapartida, as forças israelitas evitem ações desproporcionadas no Líbano. No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão já alertou que qualquer recusa de Israel em retirar as suas tropas do sul do Líbano violará o pacto, podendo anulá-lo.
Emmanuel Macron revelou ainda que a assinatura do documento pelo Presidente Donald Trump — ocorrida no Palácio de Versalhes durante um jantar oficial que encerrou a cimeira do G7 em Evian — aconteceu de forma "bastante espontânea". O plano inicial previa que o texto fosse validado na Suíça por JD Vance e pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
O acordo estabelece a reabertura do estreito de Ormuz, o levantamento das restrições marítimas aos portos do Irão e uma trégua imediata de 60 dias. Este prazo será aproveitado para negociar a reestruturação do programa nuclear de Teerão e a diluição do seu urânio enriquecido. Em troca, o regime iraniano recupera o acesso a ativos congelados e a autorização para exportar crude. O plano integra também a criação de um fundo de reconstrução regional de 300 mil milhões de dólares, que a Casa Branca assegura não ter custos para os cofres públicos americanos.