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Colombianos vão às urnas no domingo para a segunda volta das eleições
Cerca de 41,4 milhões de eleitores escolhem entre o projeto antissistema de extrema-direita de Abelardo de la Espriella e a continuidade de esquerda representada por Iván Cepeda.
Por Redação
Publicado em 19/06/2026 07:51
International
@Lusa

Bogotá, 19 de junho de 2026 (Lusa) — A Colômbia prepara-se para decidir o seu próximo chefe de Estado este domingo, numa segunda volta que coloca frente a frente duas visões ideológicas completamente opostas para o futuro do país. O eleitorado terá de optar entre o advogado de extrema-direita Abelardo de la Espriella, que lidera as intenções de voto, e o senador de esquerda Iván Cepeda. No primeiro embate eleitoral, realizado a 31 de maio, "O Tigre" — alcunha de De la Espriella — garantiu a dianteira com 43,7% dos sufrágios, enquanto o candidato do Pacto Histórico obteve 40,9%. Apesar de Cepeda ter entrado na corrida como favorito devido ao suporte do atual Presidente, Gustavo Petro, o filósofo de 63 anos não reuniu a força necessária para fechar o escrutínio na primeira fase.

Abelardo de la Espriella, de 48 anos, apresenta-se através do recém-criado movimento Defensores da Pátria com um discurso de rutura com o sistema político tradicional. Conhecido pela sua admiração por Donald Trump, de quem recebeu apoio público, o candidato construiu a sua carreira jurídica a defender figuras polémicas, incluindo indivíduos ligados a esquemas de pirâmide e ao tráfico de droga. A sua plataforma eleitoral promete uma aliança reforçada com Washington no combate ao crime e foca-se em combater a corrupção, a violência e a infiltração de economias ilegais. Na vertente da segurança, De la Espriella rejeita categoricamente a política de "paz total" da atual liderança do país, rotulando-a de "traição à nação" e recusando qualquer diálogo com grupos armados envolvidos no conflito.

Por sua vez, Iván Cepeda propõe uma "revolução ética" assente numa reestruturação de valores democráticos, sociais e económicos. Com um longo historial enquanto ativista dos direitos humanos e mediador nos acordos de paz de 2016 com as antigas guerrilhas das FARC, Cepeda defende que os processos de negociação política continuam a ser o caminho viável para pôr fim à violência no território.

O sufrágio expõe também uma divisão profunda nos caminhos económicos propostos para o país: por um lado, De la Espriella defende o rigor orçamental, a redução do peso do Estado e a revitalização do setor petrolífero; por outro, Cepeda preconiza uma transformação social focada no combate à pobreza, na redução das desigualdades e na redistribuição de riqueza.

O próximo Presidente terá pela frente um país fustigado por problemas crónicos como a corrupção, o narcotráfico e o ressurgimento do conflito armado, num contexto em que a própria campanha eleitoral foi classificada como a mais violenta dos últimos oito anos devido ao aumento de ameaças e da insegurança geral. Adicionalmente, o novo executivo precisará de estabilizar os indicadores económicos da Colômbia, atualmente afetados pelo endividamento público, pela deterioração fiscal e pela quebra no investimento estrangeiro. Para garantir a transparência do ato eleitoral, o sufrágio contará com a monitorização presencial de comissões de observação da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos.

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