Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou esta sexta-feira 23 concelhos localizados nos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro sob perigo máximo de incêndio rural. As previsões apontam para que a situação de vulnerabilidade se agrave substancialmente ao longo do fim de semana, com um aumento progressivo do número de territórios integrados nos patamares mais severos da escala.
A lista de áreas em risco crítico inclui Miranda do Douro e Mogadouro, no distrito de Bragança; Fundão, Castelo Branco, Oleiros, Sertã, Proença-a-Nova, Vila Velha de Ródão e Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco; e Sardoal, Tomar, Abrantes, Constância, Vila Nova da Barquinha e Mação, no distrito de Santarém. Sob o mesmo nível de ameaça encontram-se Gavião, Nisa, Castelo de Vide, Portalegre e Marvão, no distrito de Portalegre; além de Loulé, São Brás de Alportel e Tavira, na região de Faro.
O cálculo do risco efetuado pelo IPMA divide-se em cinco patamares distintos (de reduzido a máximo) e baseia-se na análise combinada da velocidade do vento, temperatura do ar, humidade relativa e nos níveis de chuva registados nas últimas 24 horas. Para os próximos dias, o cenário meteorológico prevê uma subida acentuada das temperaturas, antecipando uma onda de calor na qual os termómetros do continente poderão bater na fasquia dos 40 graus em algumas regiões. As noites também serão quentes, com as temperaturas mínimas a fixarem-se nos 20 graus ou acima em vários pontos do país.
Face a este quadro, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, emitiu um aviso rigoroso à população para que anulem qualquer tipo de comportamento de risco. Durante uma intervenção na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o governante caracterizou as condições que se avizinham como "terríveis", destacando a combinação perigosa de calor extremo no Alentejo e no interior, humidade residual muito baixa e rajadas de vento que podem oscilar entre os 30 e os 40 quilómetros por hora.
O executivo reforçou a proibição do uso de qualquer maquinaria agrícola ou florestal que possa gerar faíscas — como é o caso das roçadoras de discos —, a realização de queimas de sobrantes e o lançamento de fogo-de-artifício. O aviso assume especial relevância devido às festividades tradicionais do São João que decorrem na próxima semana, ficando expressamente vedada a utilização de balões de mecha acesa para evitar potenciais ignições.