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Porta-voz do Livre espera reflexão de Montenegro e antecipa “governabilidade em dúvida”
Após o chumbo da reforma laboral, Rui Tavares acusou o Primeiro-Ministro de arrogância e de tentar governar com uma "direita radicalizada", desafiando-o a mudar de atitude.
Por Redação
Publicado em 19/06/2026 18:11
Nacional
@Lusa

Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O porta-voz do Livre, Rui Tavares, lançou duras críticas ao Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, desafiando-o a fazer um profundo exame de consciência sobre a sua postura perante o país e a Assembleia da República. As declarações surgem na sequência da rejeição da proposta de revisão da lei laboral, um desfecho que, segundo o líder partidário, coloca seriamente em causa a estabilidade e a governabilidade do atual Executivo.

À saída de uma audiência no Palácio de Belém com o Presidente da República — um encontro inicialmente agendado para debater o processo de revisão constitucional —, Rui Tavares analisou o cenário político atual e afirmou que o país está a ser gerido por uma maioria de direita "que se trai mutuamente". O deputado ironizou com a situação, referindo que, por ironia do destino e no meio dessas disputas internas da direita, quem acabou por sair beneficiado e salvaguardado foram os trabalhadores portugueses.

Acompanhado pela restante liderança parlamentar do Livre, Rui Tavares acusou Luís Montenegro de ingenuidade e de ter passado os últimos tempos a "namorar" uma "direita radicalizada e cruel", acreditando piamente no seu apoio até ao colapso das negociações. Aproveitando o congresso do PSD agendado para este fim de semana, o porta-voz do Livre desafiou o chefe do Governo a aproveitar o momento para refletir e adotar uma nova postura pública.

Tavares evitou exigir diretamente a demissão da Ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, justificando que tal pedido não se enquadra no seu perfil político. No entanto, fez questão de lembrar que a governante compareceu no Parlamento convicta de que teria uma "vitória no papo". O líder do Livre traçou ainda um paralelo entre o atual Primeiro-Ministro e o seu antecessor, António Costa, acusando Luís Montenegro de demonstrar a mesma arrogância do antigo Executivo socialista, mas com a agravante de não dispor de uma maioria absoluta que a sustente. Para Tavares, o governante pecou por excesso de confiança, atirando que não conhece nenhum português capaz de confiar na palavra de André Ventura.

A polémica estalou após a proposta governamental de alteração à legislação laboral ter sido chumbada na generalidade no Parlamento. O documento contou apenas com o voto favorável da coligação PSD/CDS-PP e da Iniciativa Liberal, acabando por cair devido à união de votos contra do Chega e de toda a ala esquerda da Assembleia da República, que incluiu o PS, Bloco de Esquerda, PCP, Livre, PAN e JPP.

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