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Centros de migrantes são contrários com valores europeus – Presidente francês
À saída do Conselho Europeu, Emmanuel Macron rejeitou de forma categórica a criação de "hubs de retorno" fora da UE e barrou o uso de fundos comunitários para esse fim.
Por Redação
Publicado em 19/06/2026 20:56
International
@Lusa

Bruxelas, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O Presidente de França, Emmanuel Macron, assegurou esta sexta-feira que o seu país não irá avançar com a criação de centros de acolhimento ou de detenção de migrantes fora do espaço comunitário. À margem da cimeira europeia em Bruxelas, o líder francês argumentou que este modelo de externalização de fronteiras, além de se revelar ineficaz na prática, choca diretamente com os princípios e valores fundamentais da União Europeia.

Ainda que se mostre totalmente recetivo a estratégias rigorosas de combate à imigração clandestina e à otimização dos processos de repatriamento, Macron fechou a porta à implementação dos chamados "hubs de retorno" em territórios de terceiros países. O governante sublinhou a sua descrença no sistema, enfatizando que nunca viu uma infraestrutura deste género funcionar com eficácia em solo extra-comunitário.

A tomada de posição de Paris surge poucos dias após o Parlamento Europeu ter dado luz verde ao novo regulamento para o repatriamento de cidadãos com pedidos de asilo rejeitados. Esse novo quadro legal abre precisamente a possibilidade jurídica para que os governos europeus fechem parcerias internacionais com o objetivo de fixar centros de retenção fora da União Europeia.

Esta solução colhe o apoio entusiástico de capitais como Roma, Viena ou Copenhaga, que encaram estes espaços externos como um elemento dissuasor da imigração ilegal e uma ferramenta crucial para acelerar as deportações. No entanto, o plano enfrenta uma forte resistência por parte de forças políticas de esquerda e de várias associações de direitos humanos, que alertam para o perigo iminente de se criarem verdadeiros "vazios legais" longe do escrutínio europeu.

Para travar o avanço desta medida, Emmanuel Macron foi ainda mais longe e garantiu que a França vai vetar qualquer tentativa de canalizar verbas do orçamento da União Europeia para a edificação destas estruturas no estrangeiro. O financiamento destes centros tem estado no centro do debate nas discussões preliminares sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual da UE, projetado para vigorar entre 2028 e 2034.

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