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Dessalinizadora do Porto Santo alarga capacidade de produção até ao final do verão
Infraestrutura histórica vai atingir os 10 mil metros cúbicos diários para garantir o abastecimento público numa altura em que a população da ilha sextuplica devido ao turismo.
Por Redação
Publicado em 20/06/2026 09:57
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@Lusa

Porto Santo, Madeira, 20 de junho de 2026 (Lusa) — A Central Dessalinizadora do Porto Santo, que constitui a única origem de água potável para a rede pública da ilha, está a ser alvo de melhoramentos para elevar o seu potencial de fabrico para os 10.000 metros cúbicos diários até ao término da época estival. Atualmente, o setor hoteleiro local absorve uma fatia de aproximadamente 70% de toda a água gerada na infraestrutura, que se encontra edificada junto ao porto de Vila Baleira.

A estação iniciou a sua atividade no ano de 1980 com uma capacidade modesta, fixada nos 500 metros cúbicos por dia. Hoje, a central já consegue processar 6.500 metros cúbicos diários, preparando-se para dar o salto para a fasquia dos 10 mil metros cúbicos com a entrada em funcionamento de uma terceira unidade de dessalinização e de uma quinta galeria subterrânea para recolha de água marítima.

Esta central foi projetada há 46 anos pelo Executivo regional liderado por Alberto João Jardim para combater a escassez crónica de recursos hídricos no Porto Santo, uma ilha fustigada pela seca e onde chove, em média, menos 75% do que na vizinha ilha da Madeira. O investimento original antecipou também o forte desenvolvimento do turismo, que se transformou no principal motor económico da região. A população habitual de 5.200 residentes dispara frequentemente para picos de 30.000 pessoas durante o mês de agosto.

De acordo com Amílcar Gonçalves, presidente da empresa pública Águas e Resíduos da Madeira (ARM), o novo teto de produção trará uma enorme estabilidade à distribuição de água. Os trabalhos em curso integram um pacote financeiro superior a 24 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), aplicado tanto no reforço da dessalinização como na modernização das condutas de distribuição.

Esta central assume-se como um marco histórico, sendo a única de gestão exclusivamente pública em Portugal e uma pioneira a nível europeu na utilização do método de osmose inversa. Ao contrário de outros sistemas que recolhem a água diretamente do mar aberto, no Porto Santo a captação é feita através de galerias na areia da praia, permitindo obter água naturalmente filtrada e reduzindo os custos com o pré-tratamento. No final do processo de filtragem por membranas, a água é enriquecida com brita calcária para recuperar minerais essenciais, recebendo também cloro para garantir uma segurança que as análises classificam como sendo de 100%.

Embora o custo de produção runde os 60 cêntimos por metro cúbico — impulsionado sobretudo pela fatura energética —, o preço final pago pelo consumidor é equiparado ao praticado no resto do arquipélago. Para otimizar a eficiência e fechar um "ciclo virtuoso", o Governo Regional implementou um sistema de tratamento terciário para reaproveitar as águas residuais, direcionando-as para a rega do campo de golfe local. Relativamente ao impacto ambiental, a devolução ao oceano da água rejeitada com o dobro do sal não tem registado consequências negativas no ecossistema marinho circundante, diluindo-se facilmente na costa.

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