O eurodeputado do PSD, Sebastião Bugalho, aproveitou a sua intervenção deste sábado no Congresso do partido para demarcar a força política tanto do Chega como do PS, conforme relatou o JN/Agências. Para fundamentar a distinção, o social-democrata apontou o comportamento da extrema-direita numa homenagem a Cavaco Silva e a passividade socialista perante a opositora venezuelana María Corina Machado.
O discurso, proferido em Anadia, no distrito de Aveiro, acabou por exceder o tempo regulamentar, o que valeu a Bugalho uma chamada de atenção de Miguel Albuquerque. O presidente da Mesa do Congresso avisou que "ali não havia estrelas", ao que o jovem eurodeputado respondeu de imediato, numa referência à comitiva do partido em Bruxelas: "Aqui não há estrelas, senhor presidente, porque somos sete lá em Bruxelas".
No plano ideológico, Sebastião Bugalho lamentou que o PSD sofra ataques semelhantes em Portugal e na Europa, sendo apelidado de socialista pela extrema-direita e de extrema-direita pelos socialistas. Para vincar as diferenças em relação ao Chega, recordou o boicote da bancada de André Ventura no Parlamento Europeu durante uma homenagem ao ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, além de criticar a visão do Chega de que o apoio à Ucrânia prejudicou a economia europeia.
Virando agulhas para a esquerda, o ex-jornalista criticou o Partido Socialista Europeu por demorar "há nove meses para saudar" a galardoada com o Nobel da Paz, María Corina Machado. Bugalho apontou ainda como meta a vitória do PSD nas europeias de 2029 e garantiu que, independentemente do calendário eleitoral em Portugal, o partido vencerá as próximas legislativas com Luís Montenegro.
Num recado dirigido à oposição e assente nas sondagens reais das urnas, o eurodeputado lembrou que o PSD ganhou os dois últimos atos eleitorais, avisando que os portugueses não têm receio de recordar essa maioria. Antes de terminar, Sebastião Bugalho fez ainda uma proposta para permitir que qualquer município se possa candidatar a receber instituições públicas e destacou o trabalho discreto dos sociais-democratas em Bruxelas em áreas como a inteligência artificial, fundos de coesão, agricultura e investimento em defesa.