Anadia, Aveiro, 20 de junho de 2026 (Lusa) — O secretário-geral e líder da bancada parlamentar do PSD garantiu este sábado que manterá todos os esforços para "chamar à razão" o PS e o Chega, assumindo o compromisso de não fechar a porta às negociações com as duas forças políticas na Assembleia da República.
A tomada de posição de Hugo Soares teve lugar no pavilhão do Velódromo de Sangalhos, em Anadia, onde decorre o 43.º Congresso Nacional do PSD até ao próximo domingo.
Ainda que sem mencionar de forma direta a rejeição da reforma laboral proposta pelo Executivo — que caiu na véspera com os votos contra de toda a esquerda e também do Chega —, o líder parlamentar social-democrata partilhou com os congressistas que, à entrada para o evento, foi questionado por vários militantes sobre como ainda conseguia manter a confiança ou insistir em conversações com a oposição.
"Quero dizer ao congresso e ao país: se o Chega e o PS desistiram do país, nós não vamos desistir de os chamar à razão", retorquiu o dirigente, assegurando que o foco está em governar e em persistir na via do diálogo no hemiciclo. Soares foi ainda mais longe, sublinhando que a sua estratégia passa por "obrigar" socialistas e o partido de André Ventura a sentarem-se à mesa das negociações.
Na ótica do líder parlamentar, cabe ao PSD exigir essa maturidade política. "Nós vamos continuar a responsabilizá-los porque a responsabilidade que eles têm foi a responsabilidade que o povo português lhes deu nas urnas", argumentou, recordando que o mandato dos eleitores foi claro ao dar ao PSD a missão de liderar o Executivo e à oposição o dever de negociar no Parlamento.
Apesar de admitir que tem recebido conselhos internos para se poupar e adotar uma postura mais resguardada, Hugo Soares rejeitou esse cenário. O político prometeu manter-se "na linha da frente do combate político" em defesa das reformas que o Governo está a implementar no país.
A intervenção ficou também marcada por um agradecimento público aos seus secretários-gerais adjuntos, Hugo Carvalho e Paulo Cavaleiro, bem como aos observadores do encontro e à bancada parlamentar do PSD, cujo desempenho elogiou de forma calorosa.
Antes de Soares subir ao palco, o líder da concelhia de Leiria, Carlos Conceição, subiu ao púlpito para enaltecer a rapidez com que o Governo de Luís Montenegro respondeu à situação de calamidade provocada pelas tempestades que assolaram o país no começo do ano. Conceição aproveitou ainda o momento para lançar uma farpa à oposição parlamentar, ironizando que o PSD tem de lidar, na Assembleia da República, com o "bafio" de um dos lados e com "cataventos" do outro.