Anadia, 21 jun 2026 (Lusa) – O chumbo da proposta do Governo para a revisão da legislação laboral continua a marcar a atualidade política. À entrada para a sessão de encerramento do 43.º Congresso Nacional do PSD, em Anadia, o presidente da Câmara Municipal do Porto e novo vice-presidente do partido, Pedro Duarte, recorreu à ironia para classificar o alinhamento de votos no Parlamento, afirmando que o Chega acabou a "erguer o punho socialista" num cenário que deixou o PS "desorientado".
Para o antigo ministro dos Assuntos Parlamentares, o desfecho da última sexta-feira na Assembleia da República serviu como um "bom retrato" da atual conjuntura nacional. Pedro Duarte ironizou com a convergência de posições, sublinhando que foi possível ver a central sindical CGTP-IN comovida com a posição do Chega, enquanto os socialistas aplaudiam de pé, sem que se percebesse ao certo se batiam palmas ao partido de André Ventura ou ao braço sindical comunista.
Apesar do revés parlamentar sofrido pelo executivo da AD, o autarca portuense garantiu que as condições de governabilidade se mantêm inalteradas, defendendo que a principal mudança foi a clarificação aos olhos dos portugueses. Na perspetiva de Pedro Duarte, o panorama político atual já não se divide estritamente entre blocos de esquerda e de direita, mas sim entre os que trabalham para fazer o país evoluir e uma oposição que se une exclusivamente para o "puxar para baixo".
Confrontado pelos jornalistas sobre se a sua ascensão à vice-presidência do PSD o coloca numa posição privilegiada para uma futura sucessão de Luís Montenegro na liderança do partido, Pedro Duarte foi categórico ao rejeitar esse cenário. O autarca assegurou estar focado e feliz no desempenho das suas funções na liderança da Câmara do Porto, reiterando que, após concluir esse ciclo autárquico, pretende afastar-se da primeira linha da vida política.
O arranque dos trabalhos ficou ainda marcado pela chegada do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que, mantendo a postura adotada desde que assumiu a presidência do Parlamento, recusou fazer comentários de cariz partidário, remetendo-se ao papel de mero observador no congresso social-democrata.