Lisboa, 19 jun 2026 – O presidente do Chega, André Ventura, lançou duras críticas à postura do Executivo no processo de revisão da legislação laboral, que culminou no chumbo da proposta na generalidade. O líder da oposição acusou o Governo de ter conduzido as negociações de forma "unilateral" e inflexível, o que acabou por afastar os parceiros sociais e deixar a equipa governamental isolada no processo, segundo avançou a SIC Notícias.
Ventura considera que a insistência do Executivo em avançar com medidas que retiram direitos aos trabalhadores e prejudicam o tecido empresarial foi o principal erro estratégico. O líder partidário defendeu que o país necessita de um modelo económico que valorize quem investe e reduza a forte carga fiscal que asfixia as pequenas e médias empresas, lamentando que o diálogo social tenha terminado num "desastre" com o afastamento das centrais sindicais.
O Chega acabou por juntar o seu voto contra aos partidos da esquerda (PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP), inviabilizando o documento que contou apenas com o apoio do PSD, CDS-PP e IL. Ainda assim, André Ventura assegurou que o seu partido manteve uma postura de "oposição responsável", tendo entrado nas negociações com o intuito de corrigir uma proposta que considera má, mas viu as suas principais exigências serem totalmente ignoradas.
Entre as propostas apresentadas pelo Chega que foram recusadas pelo Governo estavam a redução progressiva da idade de reforma, o estabelecimento de um teto máximo para pensões consideradas milionárias e a abolição definitiva das subvenções vitalícias. Ventura garantiu que a bancada do Chega procurou o consenso até ao último momento, mas avisou que o diploma não pode avançar no Parlamento sem sofrer alterações profundas, sublinhando que "só o Chega pode salvar esta reforma laboral".
Na sequência do chumbo, a ministra do Trabalho já veio rejeitar publicamente qualquer cenário de demissão, embora tenha classificado a rejeição do pacote legislativo como uma "derrota para o país".