Lisboa, 22 jun 2026 (Lusa) — Abastecer o carro está cada vez mais caro na União Europeia (UE). Em maio, os preços dos combustíveis para transporte privado registaram um salto de 20,7% em termos homólogos, marcando o terceiro mês consecutivo de agravamento na carteira dos condutores. Segundo o Eurostat, esta tendência de subida — que já se tinha feito sentir em março (+12,9%) e em abril (+20,8%) — é um reflexo direto da escalada de tensão no Médio Oriente.
A crise geopolítica afetou gravemente o setor energético, sobretudo devido à interrupção da navegação comercial no estratégico Estreito de Ormuz. Olhando para a média europeia de maio em comparação com o ano anterior, o preço do gasóleo disparou 29%, o da gasolina subiu 16,2% e os lubrificantes encareceram 20,7%.
O impacto desta crise global fez-se sentir em todos os Estados-membros da UE, mas Portugal surge na metade superior da tabela dos aumentos. O país registou uma subida homóloga de 25,2% no custo dos combustíveis e lubrificantes. No mercado nacional, quando comparado com maio de 2025, o gasóleo aumentou 30,3%, a gasolina escalou 18,7% e os lubrificantes subiram 25,2%.
Houve ainda quatro países europeus a sofrer aumentos homólogos superiores a 30%: a Bulgária (33,9%), o Luxemburgo (32,2%), a Lituânia (30,8%) e a Roménia (30,4%). Em sentido inverso, a Hungria foi o país que registou a menor subida (+3,5%).
Apesar do cenário homólogo pesado, a variação em cadeia (face a abril de 2026) trouxe alguma estabilização temporária. Na média da UE, o preço do gasóleo recuou 5,8% e o dos lubrificantes desceu 1,9%, embora a gasolina tenha somado mais 0,8%.
Em Portugal, a tendência mensal foi semelhante no gasóleo e nos lubrificantes, com descidas de 3,5% e 0,8%, respetivamente. Contudo, a gasolina em território nacional contrariou a média europeia e sofreu um agravamento mensal mais expressivo, subindo 4,1% face a abril.