Lisboa, 23 jun 2026 (Lusa) — O porta-voz do Livre, Rui Tavares, assumiu hoje que a grande meta do partido passa por se transformar na força política “mais bem preparada para governar” Portugal. A estratégia, explicou, assenta na capacidade de ouvir o país e avançar com reformas estruturais adiadas, com destaque para a regionalização.
No discurso que encerrou as jornadas parlamentares do Livre, na Casa do Parlamento, em Lisboa, o deputado sublinhou que a ambição do partido será atualizada no congresso nacional do próximo mês, em Sintra. Tavares aproveitou o momento para questionar o tabu político em redor da divisão regional do país, defendendo que está na hora de a sociedade voltar a debater o tema e de se avançar para um referendo.
Depois de um primeiro dia de jornadas focado no terreno em Leiria — fustigada por intempéries recentes —, as atenções do Livre centraram-se na preparação de Portugal para eventos climáticos extremos. Rui Tavares rejeitou a ideia de que a prevenção seja um luxo, lembrando que avaliar a resistência sísmica dos edifícios ou combater a pobreza energética são medidas graduais que poupam custos e salvam vidas. "Nem tudo se tem de resolver com um plano Marshall depois de uma catástrofe", atirou.
Os debates contaram com o aviso de vários especialistas. Pedro Garrett Lopes, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, revelou dados alarmantes: se entre as décadas de 80 e 90 os prejuízos anuais por mau tempo em Portugal rondavam os 70 milhões de euros, o valor disparou quase dez vezes a partir do ano 2000, fixando-se numa média de 600 milhões de euros por ano.
O painel de cientistas apontou várias fragilidades ao país. A investigadora Luísa Schmidt lamentou a acumulação de planos nacionais que nunca saem do papel e culpou o crónico desordenamento do território pelo agravamento das catástrofes.
Por sua vez, a economista Susana Peralta criticou o desinvestimento público crónico e deixou reparos à aplicação das verbas europeias, apontando que nem todo o dinheiro do PRR tem sido usado de forma útil. Peralta considerou ainda que Portugal continua a ser "tímido na tributação verde" e sugeriu impostos sobre heranças para reforçar os cofres do Estado.
Na área florestal, o professor José Miguel Cardoso Pereira defendeu o uso reforçado de fogo controlado para prevenir grandes incêndios, enquanto o especialista Francisco Castro Rego apelou a uma maior estabilidade nas políticas públicas de ordenamento técnico.