Washington, 24 jun 2026 (Lusa) — O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou a sua forte oposição a uma resolução aprovada pelo Senado que visa travar a sua autonomia militar perante o Irão. O líder norte-americano defende que a medida prejudica a estratégia delineada pela Casa Branca para cessar em definitivo o clima de confrontação.
Através da sua plataforma social, a Truth Social, Trump assegurou que o regime de Teerão se encontra numa posição de grande fragilidade devido à política de asfixia económica de Washington. Segundo o governante, o país asiático estará agora recetivo a negociar "praticamente qualquer dossiê" com a administração norte-americana.
O Presidente apontou o dedo aos senadores que viabilizaram o documento, acusando-os de sabotar a condução da política externa do Governo. Numa retórica mais agressiva, Trump chegou a afirmar que parte do Congresso estará a “confortar o inimigo” — uma terminologia que a própria Constituição dos EUA associa ao crime de traição —, ao colocar em causa as decisões da presidência no Médio Oriente.
A votação na câmara alta do parlamento, que terminou com 50 votos a favor e 48 contra, serve para acionar os mecanismos da Lei dos Poderes de Guerra de 1973. Na prática, o diploma exige que qualquer ação militar de larga escala passe pelo crivo prévio do poder legislativo, ratificando uma posição que a Câmara dos Representantes já tinha tomado no início do mês.
Este braço de ferro político surge num momento de transição diplomática. Há sensivelmente uma semana, os dois países assinaram um memorando que restabeleceu a estabilidade operacional no estratégico Estreito de Ormuz. Este entendimento abriu uma janela de negociações de 60 dias para debater o programa nuclear iraniano e o eventual levantamento das sanções internacionais que pesam sobre a República Islâmica.