Madrid, 25 jun 2026 (Lusa) — As temperaturas extremas que assolaram Espanha nos últimos dias causaram, pelo menos, 212 vítimas mortais entre domingo e quarta-feira. Os dados baseiam-se em projeções do Instituto de Saúde Pública espanhol Carlos III, divulgadas esta quinta-feira, coincidindo com o pico de uma intensa onda de calor que atingiu o país.
A plataforma de monitorização diária "MoMO", tutelada por aquele instituto, identificou a passada terça-feira como o dia mais trágico do período, contabilizando 95 óbitos num só dia associados às condições meteorológicas. O impacto deste ano supera de forma expressiva o do período homólogo de 2025 (entre 21 e 24 de junho), altura em que se registaram 98 falecimentos ligados às temperaturas elevadas.
O sistema de estimativa cruza o volume real de óbitos no país com os padrões históricos de mortalidade esperada, integrando ainda as variáveis climáticas fornecidas pela Agência Meteorológica Nacional (Aemet). Embora a plataforma não consiga decretar uma relação de causa-efeito inequívoca em cada caso individual, estes indicadores constituem a métrica oficial mais fiável para avaliar o impacto do calor na saúde pública.
Até ao momento, as autoridades das comunidades autónomas confirmaram a morte direta de duas pessoas por golpe de calor na terça-feira — uma na região norte do País Basco e outra na Andaluzia, no sul.
Foi também na terça-feira que a atual vaga de calor atingiu o seu expoente máximo no território espanhol. Os termómetros atingiram marcas históricas na Andaluzia, com Montoro a registar 45°C e Jaén a chegar aos 44°C. O cenário de calor extremo estendeu-se de forma inédita ao norte de Espanha, com máximas acima dos 42°C no País Basco e em Navarra, e um recorde de 43,7°C na Cantábria.
Após dias de sufoco, as previsões meteorológicas trazem agora alento. A Aemet antecipa para hoje uma quebra acentuada e generalizada nas temperaturas máximas e mínimas, assinalando o desfecho desta vaga de calor na Península Ibérica.