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Bolieiro reivindica reforço da dimensão atlântica da União Europeia
O líder do Executivo açoriano participou numa cimeira espacial em Lisboa, onde criticou a visão europeia focada a Leste e apontou os Açores como chave geopolítica para o futuro.
Por Redação
Publicado em 25/06/2026 16:14
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@Lusa

Ponta Delgada, Açores, 25 jun 2026 (Lusa) — O Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, sustentou esta quinta-feira que o projeto europeu deve consolidar a sua projeção atlântica e romper com o centralismo estratégico de Bruxelas. Para o governante, a criação de "novas centralidades" é indispensável para alavancar a capacidade competitiva, a segurança e o peso geopolítico da União Europeia (UE).

O responsável pela coligação PSD/CDS-PP/PPM partilhou esta leitura durante o arranque da IX New Space Atlantic Summit, um fórum anual promovido pela Agência Espacial Portuguesa que este ano se realiza no Técnico Innovation Center, na capital portuguesa.

O social-democrata vincou que "a Europa terá mais futuro se se considerar uma Europa Atlântica", argumentando que a vasta bacia oceânica constitui um trunfo estratégico crucial para posicionar o ecossistema europeu na vanguarda científica, tecnológica, económica e política global. Segundo declarações reproduzidas pela presidência açoriana, "a Europa precisa de gerir as oportunidades dirigindo-se para o Atlântico".

José Manuel Bolieiro reafirmou a sua ambição de converter o arquipélago "de uma região de necessidades numa região de oportunidades", mostrando-se convicto de que a atual geração de decisores reúne as competências necessárias para capitanear essa transição.

Este processo de mudança, no seu entender, obriga a uma "valorização integral do território açoriano". O foco não se deve esgotar na área terrestre, mas sim abraçar o potencial marítimo, as águas profundas e a atividade aeroespacial, colocando a investigação e a inovação tecnológica ao serviço de uma exploração sustentável da riqueza natural e da atração de novos investimentos.

Em jeito de aviso, o líder regional lamentou o facto de a UE manter uma perspetiva estratégica que considera obsoleta, "excessivamente centrada nas fronteiras terrestres de leste e em modelos económicos do passado".

Ao longo da sua alocução, Bolieiro evidenciou a relevância dos Açores enquanto ponte natural e privilegiada entre o continente europeu e as Américas, servindo de elo de ligação nas relações transatlânticas e projetando a influência da União Europeia em direção ao mar. Defendeu, por isso, que as instâncias comunitárias devem estruturar organismos mais sensíveis aos assuntos marítimos e espaciais, áreas onde o financiamento público deve assumir um caráter prioritário e estruturante.

As metas europeias de descarbonização, transição energética e digitalização estão, nas palavras do governante, umbilicalmente ligadas ao aproveitamento do Atlântico e à aposta em ciência e gestão de dados.

Com o mote "A Arquitetura do Poder: Geopolítica na Segunda Era da Exploração Espacial", o encontro de 2026 junta peritos de várias geografias, representantes do tecido empresarial, investigadores e decisores políticos para analisar os novos desafios associados à soberania, defesa e parcerias no ecossistema do espaço.

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