Paris, 26 jun 2026 (Lusa) — A intensa vaga de calor que está a assolar o continente europeu vai deixar hoje cerca de 150 milhões de pessoas sob temperaturas sufocantes, acima dos 35°C, afetando severamente países como França, Alemanha, Países Baixos e Hungria.
Dados compilados pela agência AFP indicam que a fasquia dos 35°C será superada por mais de 50 milhões de cidadãos em solo alemão e cerca de 30 milhões em território francês. Alargando o espetro, estima-se que mais de 420 milhões de europeus (cerca de 70% da população do continente, excluindo a Turquia) registem máximas acima dos 30°C. Para os especialistas do World Weather Attribution (WWA), a severidade deste fenómeno deve-se inteiramente às alterações climáticas, assumindo que um cenário desta escala seria impensável há 50 anos.
Reino Unido, Espanha, França e Suíça já viram os seus recordes históricos ser pulverizados. Nos Países Baixos, vigora um alerta vermelho que levou as autoridades a desaconselharem viagens não essenciais e a determinarem o encerramento da maioria dos estabelecimentos escolares. Em Berlim, organizações de solidariedade alertam para a mudança drástica na assistência social: se antes o foco era proteger os sem-abrigo do inverno, hoje a prioridade é distribuir água e bens de emergência para mitigar os alertas de calor extremo que pintam o mapa alemão de violeta escuro.
O impacto na saúde pública está a tornar-se dramático. No Reino Unido, o sistema de saúde (NHS) encontra-se "à beira do colapso", segundo fontes médicas. Em Paris, o Hospital Europeu Georges Pompidou enfrenta uma pressão "extremamente grave", com urgências superlotadas por idosos, cidadãos de meia-idade com febres elevadas e sem-abrigo resgatados com temperaturas corporais nos 42°C. O calor extremo tem provocado mortes por hipertermia, falhas cardíacas e afogamentos — em França, pelo menos 55 pessoas morreram afogadas ao tentarem refrescar-se.
A situação obrigou a alterações profundas na vida social e cultural. Na capital francesa, a Marcha do Orgulho LGBT e o festival de música Solydays (que previa receber 250 mil pessoas) foram cancelados, enquanto o desfile de Lyon foi adiado para setembro. Foram também impostas restrições à venda e consumo de bebidas alcoólicas.
A Météo-France prevê que o termómetro atinja hoje picos entre os 39°C e os 41°C na zona parisiense e no leste do país, embora se registe já uma ligeira descida das temperaturas na costa atlântica. Além da crise sanitária, o panorama começa a desenhar consequências graves na economia do bloco europeu, traduzindo-se numa quebra de produtividade e no abrandamento do crescimento económico.