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Presidente do parlamento libanês pede calma após acordo com Israel
Nabih Berri manifestou profunda preocupação com o clima de forte instabilidade e divisão interna que se gerou no país depois do anúncio do entendimento-quadro.
Por Redação
Publicado em 27/06/2026 17:38
International
@Lusa

Madrid, 27 de junho de 2026 (Lusa) — O líder do parlamento do Líbano, Nabih Berri, expressou este sábado o seu profundo lamento face à vaga de contestação interna que emergiu após a assinatura do acordo-quadro com Israel, deixando uma mensagem de moderação aos cidadãos libaneses. Através de um comunicado emitido nas plataformas digitais, Berri recorreu ao termo islâmico "fitna" — associado a períodos de grave convulsão social e fratura interna — para alertar que o país se encontra imerso na discórdia.

O histórico líder do Movimento Amal mantém uma forte proximidade com a milícia xiita Hezbollah, estrutura que tem protagonizado duros confrontos com as forças militares israelitas e que sempre contestou os canais de aproximação diplomática entre Beirute e Telavive. Para reforçar o seu apelo à serenidade, o responsável parlamentar chegou a citar uma fábula ligada ao profeta Maomé, numa altura em que o xadrez político libanês se mostra profundamente cindido.

As frentes políticas do país reagiram de forma muito distinta ao pacto. Do lado do Partido das Falanges Libanesas, de cariz democrata-cristão, Sami Gemayel elogiou o entendimento, classificando-o como um triunfo para o Líbano que dita o cessar-fogo, a saída das forças israelitas e a devolução da tutela da defesa nacional em exclusivo ao Estado. Em contrapartida, Gebran Bassil, líder do cristão-maronita Movimento Patriótico Livre, assumiu uma postura mais cautelosa. Bassil criticou o facto de o texto preliminar ignorar matérias sensíveis, tais como o destino dos refugiados palestinianos, os litígios territoriais no rio Wazzani e a exploração dos recursos de gás marítimos.

O documento oficial, mediado pelo Departamento de Estado norte-americano, não estipula uma retirada imediata das forças de Telavive do sul do Líbano. Em vez disso, estabelece uma desocupação progressiva balizada em duas regiões específicas e estritamente dependente da monitorização do desarmamento do Hezbollah. Por sua vez, a milícia pró-iraniana já veio rejeitar de forma categórica as condições do documento, assegurando que não irá abdicar do seu arsenal com base no teor destas negociações.

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