Caracas, 27 de junho de 2026 (Lusa) — As autoridades da Venezuela decidiram impedir a entrada de cidadãos e de equipas de voluntários no estado de La Guaira, a região que sofreu o maior impacto dos sismos que abalaram o país na passada quarta-feira. Esta província costeira, recorde-se, acolhe uma comunidade muito significativa de portugueses e lusodescendentes.
As restrições de circulação começaram a ser aplicadas a partir das 20:00 de sexta-feira (01:00 de sábado em Lisboa), numa altura em que o Governo tentava travar a deslocação massiva de milhares de motociclistas que se dirigiam para a zona afetada com o objetivo de distribuir água potável e bens alimentares essenciais.
Esta barreira imposta pelas forças de segurança está a provocar uma onda de revolta entre os habitantes. Através das redes sociais, têm sido partilhados múltiplos vídeos gravados junto a prédios totalmente desmoronados, onde os moradores denunciam que, passados quase três dias sobre o desastre, as equipas oficiais de busca e salvamento continuam sem aparecer. A população exige o envio urgente de maquinaria pesada para remover os blocos de betão, sob os quais ainda se ouvem gritos de sobreviventes a clamar por auxílio.
Face à ausência de meios estatais, os próprios residentes têm assumido os trabalhos de salvamento, escavando os escombros à mão e conseguindo, em vários casos, retirar pessoas com vida. Estas plataformas digitais estão também a ser utilizadas pela comunidade para rastrear o paradeiro dos sinistrados e identificar os locais onde os feridos estão a receber assistência médica.
A atuação governamental mereceu uma dura reação de organizações locais. O Laboratório de Paz (LP) emitiu um comunicado a recordar que "nenhuma resposta cidadã pode substituir as obrigações que correspondem ao Estado", sublinhando que o direito à vida e à assistência humanitária é imperativo, sobretudo nas primeiras horas pós-catástrofe.
A organização adiantou que em localidades críticas como Los Corales, Caraballeda, Praia Caribe e Praia El Yaque o cenário é de destruição total, com habitações pulverizadas e estradas intransitáveis. Apesar de reconhecer o esforço hercúleo e ininterrupto dos operacionais da Proteção Civil, Bombeiros e forças policiais no terreno, o LP adverte que a resposta institucional está a ser travada por uma gritante escassez de recursos técnicos. Sem sistemas de iluminação adequados, ferramentas de localização e veículos pesados, as probabilidades de encontrar sobreviventes diminuem drasticamente a cada hora que passa.