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CPLP/30 anos: Hoje a CPLP “tem muito mais importância internacional” — ex-secretário-executivo
Zacarias da Costa faz um balanço positivo do percurso da comunidade lusófona, mas alerta que a estrutura ainda é muito pesada e precisa de se focar em ações práticas ligadas aos cidadãos.
Por Redação
Publicado em 27/06/2026 17:49
International
@Lusa

Díli, 27 de junho de 2026 (Lusa) — Três décadas após a sua fundação, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) conquistou um peso significativamente maior no xadrez global, embora continue a enfrentar o desafio de encurtar a distância que a separa das populações dos seus Estados-membros. A leitura pertence ao antigo secretário-executivo da organização, Zacarias da Costa, em entrevista concedida à Agência Lusa.

O diplomata timorense, que liderou o secretariado-executivo da comunidade entre 2021 e 2025, reconhece que o percurso multilateral tem sido condicionado por um contexto internacional adverso, que gerou retrocessos nas instâncias globais. Ainda assim, salienta que nos últimos quatro anos a CPLP intensificou os seus laços com outras instituições mundiais, firmou novos protocolos e viu crescer o interesse de vários países em assumirem o estatuto de observadores associados.

Apesar destes avanços institucionais, Zacarias da Costa assume que a CPLP permanece amarrada a uma matriz excessivamente governamental. Mudar este paradigma para transformá-la numa "organização de povos" é uma meta complexa, dadas as velocidades e dinâmicas internas muito distintas que caracterizam cada uma das nove nações que compõem o bloco.

A vertente económica tem sido uma das prioridades em debate desde que Timor-Leste assumiu a presidência rotativa da CPLP entre 2014 e 2016. Contudo, os resultados ainda carecem de robustez. Zacarias da Costa lembrou que propostas de grande impacto, como a criação de uma instituição financeira voltada para o financiamento de empresários do espaço lusófono, continuam congeladas por falta de consenso unânime entre os governos. Embora sublinhe avanços práticos — como a criação de uma direção dedicada aos assuntos económicos e o lançamento do Fórum das Agências de Promoção de Investimento —, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste assume abertamente que a vertente económica está "longe" de se encontrar consolidada.

O antigo secretário-executivo respondeu ainda às críticas habituais que apontam a comunidade como um organismo focado em discursos e desprovido de ações tangíveis. Zacarias da Costa admitiu que a CPLP é uma estrutura "muito pesada" e defendeu a necessidade premente de converter os compromissos teóricos assumidos pelos líderes políticos nas cimeiras e reuniões ministeriais em realidades diárias para os cidadãos, sob pena de a organização não conseguir acompanhar as rápidas transformações do mundo moderno.

Recorde-se que a CPLP foi fundada em Lisboa a 17 de julho de 1996, tendo como membros fundadores Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. O mapa geográfico da organização expandiu-se mais tarde com a entrada de Timor-Leste, em 2002, e da Guiné Equatorial, em 2014.

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