MENU
Onda de calor na Europa vitimou 1.300 pessoas desde 21 de junho – OMS
O diretor da organização alertou que o continente europeu está a aquecer ao dobro do ritmo global, deixando milhões de cidadãos sob aviso de temperaturas extremas.
Por Redação
Publicado em 28/06/2026 16:48
International
@Lusa

Paris, 28 de junho de 2026 (Lusa) — A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou este domingo um balanço trágico provocado pelas temperaturas extremas no continente europeu. De acordo com o diretor-geral da instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, contabilizam-se "mais de 1.300 mortes adicionais" diretamente associadas à atual vaga de calor desde o passado dia 21 de junho.

Através de uma mensagem publicada na rede social X, o responsável máximo da OMS sublinhou o ritmo alarmante das alterações climáticas na região, lembrando que o continente europeu enfrenta um processo de aquecimento duas vezes mais veloz do que a média registada à escala global. "Neste momento, 150 milhões de pessoas vivem sob calor extremo, centenas de pessoas morreram, as escolas estão fechadas e as redes elétricas estão a ser postas à prova", advertiu.

Ghebreyesus chamou ainda a atenção para o facto de estes episódios meteorológicos, que no passado surgiam apenas uma vez por geração, se terem tornado uma constante quase anual. O problema é agravado pela falta de preparação das infraestruturas locais — incluindo habitações, escritórios e estabelecimentos de ensino —, que não foram projetadas para suportar valores tão elevados no termómetro.

Estima-se que perto de 191 milhões de europeus estejam hoje expostos a temperaturas acima dos 35 graus Celsius. O último fim de semana ficou marcado por uma sucessão de máximos históricos históricos: a Dinamarca atingiu os 37 °C, enquanto a Alemanha escalou até aos 41,5 °C, registando ainda a noite mais quente do seu historial (29,4 °C em Kubschütz). Este domingo foi a vez de a República Checa fixar um novo recorde nacional de 41,1 °C na localidade de Doksany.

Perante o cenário de emergência, as autoridades das principais capitais procuram soluções improvisadas. Em Berlim, as forças policiais preparam a utilização de veículos com canhões de água para refrescar a população nas ruas. Em contrapartida, o nível de alerta começou a registar melhorias graduais em França, restando apenas duas regiões da zona oriental sob aviso vermelho, cujo levantamento está previsto para o final do dia.

A comunidade científica associa estas sucessivas ondas de calor à dependência da humanidade face aos combustíveis fósseis. Fenómenos como a presente "cúpula de calor" decorrem de anomalias na corrente de jato atmosférica provocadas pela poluição, o que favorece a estagnação de sistemas de alta pressão sobre o território europeu. Especialistas alertam ainda que este aquecimento acelerado já se faz sentir nos ecossistemas marinhos, gerando uma perda preocupante na biodiversidade dos oceanos.

Comentários

Mais notícias