Porto, 28 de junho de 2026 (Lusa) — O vice-presidente do Centro de Vida Independente, Mário Gonçalves, instou hoje o Executivo central a criar mais vagas nos centros de apoio social. O apelo foi lançado na cidade do Porto durante uma manifestação que mobilizou cerca de cinquenta pessoas na Praça D. João I.
"Se as vagas nos Centros de Apoio à Vida Independente estão bloqueadas, só lhes resta, por exemplo, ser internadas em lares. E é contra isso que nós nos batemos", vincou Mário Gonçalves no decorrer da 9.ª Marcha pela Vida Independente. No centro da Invicta, os participantes empunharam cartazes com mensagens focadas na liberdade, no direito a uma vida plena e na urgência de garantir acessibilidades e assistência adequada.
O dirigente da Associação Centro de Vida Independente — uma IPSS e ONG que representa perto de 400 membros — aproveitou a iniciativa para solicitar ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social não apenas o alargamento das vagas nos referidos centros, mas também o aumento do volume de horas atribuído às equipas de assistência. Mário Gonçalves lembrou que o país conta atualmente com 35 estruturas deste tipo, um modelo que nasceu como projeto-piloto financiado pela União Europeia em 2019 e que é hoje uma resposta social por inteiro direito.
O protesto serviu também para exigir a aplicação cabal da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, documento que o Estado português assinou e ratificou em 2009. Estima-se que as pessoas com deficiência representem cerca de 10% da população nacional, o equivalente a um milhão de cidadãos, uma franja que o ativista considera continuar a sofrer com a "invisibilidade".
Mário Gonçalves apontou que o conceito de vida independente surgiu em 1972 no meio académico da Universidade de Berkeley (EUA), constatando que, em Portugal, mesmo cidadãos com formação superior enfrentam barreiras intransponíveis e a falta de opções devido à escassez de assistência. A par disso, o responsável manifestou apreensão com o atual cenário político e o crescimento das forças de extrema-direita, recordando o impacto severo do período de intervenção da troika (FMI, BCE e Comissão Europeia), altura em que a comunidade sofreu cortes significativos no financiamento de produtos de apoio essenciais à mobilidade, como as cadeiras de rodas.
Entre os testemunhos recolhidos no Porto, Catarina Vitorino, de 31 anos, enfatizou a urgência de assegurar o acesso equitativo ao mercado de trabalho e às relações interpessoais. "Queremos ter o acesso livre a todo o país. Também a uma vida profissional, uma vida relacional. Queremos ter uma identidade", resumiu a jovem. A ação de protesto encerrou junto à paragem de Metro da Trindade, com momentos musicais em plena via pública.