Santa Maria da Feira, 29 de junho de 2026 (Lusa) — A Lufthansa deu hoje o tiro de partida oficial para a construção da sua nova unidade industrial em Santa Maria da Feira. O diretor-executivo da multinacional, Carsten Spohr, revelou que o projeto já conta com 300 colaboradores em fase de formação especializada e que a expectativa é realizar a primeira operação de manutenção em 2028.
O anúncio foi feito durante uma conferência de imprensa na cidade de Aveiro, inserida na Área Metropolitana do Porto, momentos antes de uma comitiva que incluiu o primeiro-ministro português visitar o terreno de 230 mil metros quadrados. É nesse espaço que vai nascer uma fábrica com 55 mil metros quadrados totalmente dedicada à reparação e à manutenção de componentes para aviões.
A empresa já garantiu a contratação de 300 técnicos, que se encontram a estagiar no Parque Empresarial de Recuperação de Materiais, na Feira. O plano de expansão prevê que a equipa cresça significativamente até atingir os 700 postos de trabalho em 2030. De acordo com Carsten Spohr, os trabalhos de edificação da Lufthansa Technik vão avançar a ritmo acelerado, assegurando que o primeiro componente revisto por mãos portuguesas sairá da fábrica em 2028.
Este investimento, avaliado em cerca de 300 milhões de euros, representa para a liderança alemã muito mais do que um mero negócio financeiro, funcionando como uma aliança estratégica com o país. "Somos o grupo de aviação número 1 na Europa e vemos em Portugal um parceiro de enorme potencial", sublinhou o CEO.
O plano da Lufthansa em território nacional não se esgota na fábrica. Coincidindo com o dia de hoje, o grupo fundou a Help Alliance Portugal — a sua primeira organização social fora da Alemanha — e estuda, em articulação com o Governo e a Força Aérea Alemã, a abertura de uma escola de aviação internacional que não ficará sediada em Lisboa devido à necessidade de espaço aéreo livre para manobras e treinos.
A localização geográfica de Portugal é vista pela marca germânica como o trampolim ideal para ligar a Europa à América Latina, com particular foco no mercado brasileiro. Com uma operação atual que conta com 50 voos diários a partir do país e mais de meio milhar de empregos diretos, a Lufthansa voltou a assumir publicamente o forte interesse na privatização da TAP.
Carsten Spohr elogiou a condução "profissional" do processo por parte do executivo português e garantiu que o grupo tem a solidez financeira e a rede de passageiros necessárias para ser a melhor solução para a companhia de bandeira portuguesa, deixando contudo claro que a decisão final caberá inteiramente ao Governo.