Maputo, 30 jun 2026 (Lusa) — A petrolífera TotalEnergies avançou com o lançamento de um concurso público internacional para a instalação de uma central de energia solar com uma potência instalada de 7,1 MegaWatts (MW) na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, de acordo com o anúncio formalizado esta terça-feira. A nova infraestrutura fotovoltaica ficará localizada na península de Afungi e surge integrada nas obras de edificação do megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) da Área 1, sob a gestão do consórcio Mozambique LNG, liderado pela empresa gaulesa. O caderno de encargos da manifestação de interesse prevê a montagem, ligação e operação de cerca de 13.224 painéis solares, equipamentos que a petrolífera francesa já adquiriu e que ocuparão uma extensão territorial aproximada de 6,5 hectares no perímetro industrial da bacia do Rovuma.
A vertente renovável deste empreendimento enquadra-se nas diretrizes estratégicas partilhadas em fevereiro pelo presidente da comissão executiva da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, que sublinhou a intenção da cotada em dinamizar a capacidade de eletrificação regional no continente africano. O administrador exemplificou o plano com o cenário de canalizar o gás extraído no norte do território moçambicano para infraestruturas térmicas a sul, abrindo a porta à exportação de energia elétrica para o mercado da África do Sul e garantindo uma fatia do abastecimento para consumo doméstico. De acordo com a liderança do grupo, o objetivo central passa por desenhar um modelo de negócio equilibrado entre os contratos de exportação internacional e a promoção do desenvolvimento energético das economias locais.
A introdução desta componente verde acompanha a fase de reabilitação dos trabalhos de engenharia na baía de Afungi, depois de o consórcio ter assinalado o regresso oficial ao terreno no passado dia 29 de janeiro. As operações estiveram paralisadas desde abril de 2021 devido à ativação de uma cláusula de "força maior" motivada pelo contexto de instabilidade e ataques armados na região, um bloqueio que foi formalmente levantado pela TotalEnergies em outubro de 2025 após a estabilização das condições de segurança e a reafirmação dos pacotes de financiamento globais. Em consequência deste hiato de quatro anos e meio, o calendário do consórcio da Área 1 sofreu alterações significativas, projetando-se agora que o arranque da primeira linha de exportação de GNL aconteça na primeira metade de 2029, face à meta original que apontava para meados de 2024.