Madrid, 30 jun 2026 (Lusa) — A associação não-governamental Prisoners Defenders revelou esta terça-feira ter contabilizado mais de 175 novos reclusos por motivos políticos em solo cubano ao longo da primeira metade do ano de 2026, destacando que 114 desses cidadãos foram privados de liberdade devido ao exercício direto dos seus direitos de associação, manifestação e livre expressão. Num balanço minucioso desenvolvido em parceria com a entidade Consorcio Justicia, a organização detalhou que, dentro desse grupo de 114 detidos, 79 processos derivam da participação direta em ações de protesto de cariz pacífico, ao passo que 22 casos se prenderam com operações de vigilância no ciberespaço e perseguição ativa nas plataformas digitais, restando ainda 13 ocorrências associadas a táticas diversificadas de asfixia política contra dissidentes ativos e ativistas ligados a redes independentes.
O documento coloca particular tónica no facto de nove dos indivíduos encarcerados neste período serem menores, com idades compreendidas entre os 15 e os 17 anos. Embora as estatísticas referentes ao mês corrente ainda requeiram validação final, a contagem global mantida pela ONG aponta para uma lista negra que já ultrapassa a fasquia dos 1.300 opositores aprisionados. Os autores da investigação asseveram que o volume de detenções efetuadas entre janeiro e junho demonstra claramente que as medidas punitivas adotadas pelo Governo de Havana não representaram uma mera reação pontual à contestação social massiva, mas sim o estabelecimento deliberado de uma estratégia sistemática desenhada para sufocar qualquer prenúncio de novas revoltas populares na via pública.
A publicação deste estudo coincide com a aproximação do quinto aniversário das manifestações de 11 de julho de 2021, amplamente reconhecidas como as mais expressivas e concorridas que a ilha caribenha testemunhou no decurso das últimas décadas. De acordo com a leitura analítica promovida pela Prisoners Defenders, o executivo cubano optou por canalizar esforços de policiamento reativo para um modelo de dissuasão precoce, recorrendo a ferramentas tecnológicas de controlo informático e à penalização prévia de perfis considerados desalinhados com o poder instituído. A fechar o quadro epidemiológico da repressão cubana, a ONG estima que o ecossistema prisional do país tenha albergado um número acumulado superior a 2.100 prisioneiros políticos desde o dealbar da crise social do verão de 2021 até à presente data.