Lima, 02 jul 2026 (Lusa) - O candidato presidencial da esquerda peruana, Roberto Sánchez, avançou com um pedido de medidas cautelares junto da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) com o objetivo de suspender a validação dos resultados eleitorais, agendada para esta sexta-feira. A iniciativa surge após o Júri Nacional de Eleições (JNE), o órgão supremo eleitoral do Peru, ter recusado o seu requerimento para invalidar as urnas do estrangeiro.
A contagem final deu a vitória à candidata de direita, Keiko Fujimori, por uma curta diferença de 49.641 sufrágios. Contudo, o líder da coligação "Juntos pelo Peru" argumenta que, se o voto dos emigrantes fosse descartado, a vitória ser-lhe-ia atribuída por uma vantagem de sensivelmente 32 mil votos, uma vez que foi o mais votado dentro das fronteiras nacionais. Sánchez, que anteriormente se tinha comprometido a aceitar os veredictos das urnas, denuncia agora indícios de fraude, apontando o dedo à alteração do método de processamento das atas vindas do exterior, que nesta segunda volta deixaram de ser digitalizadas para passarem a ser transportadas fisicamente para a capital devido a falhas informáticas. Para a esquerda, esta alteração quebrou a segurança no transporte dos documentos.
Por sua vez, o JNE justificou a rejeição do recurso de Sánchez devido ao incumprimento dos prazos legais e à falta de pagamento das custas do processo. A contestação de cada mesa eleitoral exige uma taxa de 1.375 soles (cerca de 353 euros), um valor que o candidato derrotado considera abusivo e um entrave financeiro ao direito à justiça, utilizando este mesmo argumento no seu recurso internacional. Salvo qualquer decisão em contrário da CIDH, a oficialização de Keiko Fujimori como Presidente eleita para o mandato 2026-2031 decorrerá esta sexta-feira, 3 de julho, antecedendo a tomada de posse solene agendada para o dia nacional do país, a 28 de julho.