Washington, 03 jul 2026 (Lusa) – O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou que o regime de Teerão cedeu perante a quase totalidade das exigências colocadas pela Casa Branca. Numa entrevista concedida esta quinta-feira à cadeia televisiva CNBC, o governante norte-americano ressalvou, contudo, que os canais de diálogo continuam abertos no sentido de consolidar o entendimento.
O atual processo negocial surge na sequência de um acordo preliminar alcançado a 18 de junho. Donald Trump rejeitou classificar as tensões geopolíticas com a República Islâmica como um conflito armado tradicional, definindo o processo como uma missão de desarmamento nuclear. O líder norte-americano reiterou que os EUA nunca permitirão que o Irão desenvolva armamento atómico, aproveitando a ocasião para afirmar que a capacidade militar iraniana foi severamente afetada nos últimos tempos, declarando que o país perdeu o controlo operacional da sua Marinha, Força Aérea e sistemas de radar.
Apesar de referir que a liderança histórica do país foi dizimada e de clarificar que o objetivo de Washington não passa por forçar uma alteração na governação do país, o inquilino da Casa Branca elogiou a postura mais pragmática das atuais autoridades de Teerão, classificando-as como "muito mais racionais".
Questionado sobre as sanções navais aplicadas no Estreito de Ormuz — suspensas temporariamente após o memorando de meados de junho —, Trump rejeitou o termo "bloqueio", preferindo descrever a operação como uma "muralha de aço" que isolou comercialmente o território iraniano. Diante de uma taxa de inflação fixada nos 300% e de uma forte crise económica no Irão, o governante norte-americano adiantou que o plano económico passa por reter fundos iranianos para financiar a venda exclusiva de matérias-primas — como milho, trigo e soja — produzidas por agricultores dos Estados Unidos.
Apesar do otimismo de Washington, que tenta agendar novas reuniões bilaterais em Doha, no Qatar, o pacto enfrenta resistências no xadrez regional. Enquanto o Irão exige o cumprimento integral do documento e defende que as garantias de segurança devem abranger o Líbano, Israel já veio a público garantir que não pretende cessar as ações militares nem retirar as suas forças do sul do território libanês, onde combate a milícia xiita do Hezbollah.