Vila Nova de Foz Côa, Guarda, 05 jul 2026 (Lusa) — Uma equipa de investigadores da Fundação Côa Parque identificou um novo conjunto de gravuras do período Solutrense no Parque Arqueológico do Vale do Côa. Os achados, com mais de 23.000 anos, localizam-se no sítio do Fariseu e trazem novos dados para o estudo da arte do Paleolítico Superior na Península Ibérica.
As descobertas arqueológicas foram feitas na "Rocha 9", o mesmo bloco de xisto com cerca de 10 metros de comprimento onde, em 2020, foi encontrado o maior auroque (boi selvagem) picotado do mundo. Segundo explicou à Lusa Thierry Aubry, coordenador científico da fundação, as cheias dos últimos seis anos tinham acumulado terra junto à rocha. Para travar o risco de deterioração, os especialistas removeram a camada sedimentar, acabando por expor duas novas gravuras completas e vários traços adicionais que retratam bois, cavalos, cabras e cervas.
A análise preliminar permitiu confirmar uma forte homogeneidade de estilo e técnica no painel, sugerindo que o artista utilizou as mesmas ferramentas de pedra para desenhar cenas familiares, como a repetição de uma fêmea de auroque acompanhada pela sua cria. O achado reveste-se de grande valor científico por situar-se fora da antiga zona de acampamento, enriquecendo o circuito que está aberto a visitas do público. Contudo, a progressão das sondagens geológicas naquela margem do rio Côa permanece condicionada pelas cheias cíclicas associadas às descargas da barragem do Pocinho.
O dinamismo do Vale do Côa foi também destacado pelo presidente da fundação, João Paulo Sousa, que revelou que só este ano já foram detetadas 60 novas gravuras na região. Volvidas três décadas desde o início da proteção desta galeria ao ar livre — classificada como Património Mundial pela UNESCO —, o número de rochas documentadas saltou de 190, em 1996, para as atuais 1.600, espalhadas por 104 sítios arqueológicos que cobrem cerca de 20 mil hectares de território.