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Mais de 13 milhões de crianças não foram imunizadas em 2025 – relatório
OMS e UNICEF alertam que meta de saúde global para 2030 está em risco; metade dos casos de "dose zero" concentra-se em apenas nove países, incluindo Angola.
Por Redação
Publicado em 15/07/2026 06:33
Nacional
@Lusa

Lisboa, 15 jul 2026 (Lusa) — O atraso na vacinação infantil global está a colocar em causa os objetivos traçados pelas Nações Unidas para o fim da década. De acordo com dados oficiais, mais de 13 milhões de crianças em todo o mundo fecharam o ano de 2025 sem receber uma única vacina, um cenário que ameaça a meta de reduzir este indicador para metade até 2030.

O balanço anual, publicado hoje conjuntamente pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), revela que exatamente 13,5 milhões de menores não receberam qualquer dose de imunização em 2025, ficando totalmente expostos a doenças graves que poderiam ser facilmente evitadas. A este número somam-se 6,2 milhões de crianças que apenas contam com uma proteção parcial.

Embora o relatório registe uma ligeira evolução positiva em comparação com 2024 (menos 745 mil crianças na categoria "dose zero"), o progresso é considerado insuficiente pelas duas agências. A Agenda da Imunização 2030 tinha definido como meta cortar o número de crianças sem qualquer vacina de 12,8 milhões (o registo de 2019) para 6,4 milhões. No entanto, a meio do percurso, o mundo conta com mais 700 mil crianças desprotegidas do que em 2019, desviando-se largamente da trajetória ideal delineada para 2025.

O relatório aponta ainda que a vasta maioria das crianças sem proteção está concentrada geograficamente. Apenas nove países — Nigéria, Iémen, República Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Etiópia, Afeganistão, Paquistão e Angola — concentram mais de metade (52,4%) de todos os casos globais de "dose zero".

No que toca a doenças específicas, a recuperação da vacina contra o sarampo continua a ser um desafio crítico, existindo hoje mais 1,8 milhões de crianças por vacinar do que há sete anos. Em contrapartida, há sinais encorajadores na vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) nas raparigas, cuja taxa de cobertura global subiu de 28% para 31% no espaço de um ano. Também a vacina tríplice bacteriana (DTP) registou melhorias residuais face a 2024, embora continue aquém dos níveis pré-pandemia de 2019.

Apesar de assumir que o ritmo atual de recuperação é lento, a diretora de imunização da OMS, Kate O'Brien, preferiu destacar os avanços históricos alcançados nas últimas duas décadas devido ao forte investimento da Aliança Global para as Vacinas (Gavi). "Uma das grandes conquistas é que as crianças estão hoje protegidas de mais doenças do que alguma vez estiveram", sublinhou.

O diagnóstico de metade da década mostra que o esforço internacional é muito desigual: enquanto 90 países conseguiram manter taxas de vacinação estáveis e muito elevadas, acima dos 95%, 74 nações apresentaram um retrocesso em 2025, registando mais crianças sem vacinas do que em 2019.

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